Concluo hoje as sugestões de nomes para as próximas operações da Polícia Federal. São as seguintes:
Revertério – Vexame a que estão sujeitos todos quantos se deparam com seu dia de caça. O exemplo recente é do ex-governador José Reinaldo Tavares, do Maranhão, que passou alguns dias no xadrez da PF em Brasília. Para o mal-agradecido e rebelde apaniguado de Sarney o que marcou foi a humilhação de aliviar as tripas na frente dos outros e, ainda, ter de ficar soltando a descarga para disfarçar o bodum.
Sacripanta – Varredura para tirar de circulação os que se empanturram à custa do dinheiro suado dos contribuintes, que trabalham de 1.º de janeiro a 26 de maio ?apenas? para pagar sua insignificante parcela de impostos.
Trapizonga – Operação a ser realizada por especialistas em conversas cifradas, leitores de lábios e conhecedores de idiomas ágrafos como o bantu e o javanês. Para o segundo quesito estão abertas as matrículas no curso do professor Afonso Henriques de Lima Barreto.
Urucubaca – Apropriada para investigar os indiciados em fornecer informes preciosos sobre licitações direcionadas, emendas de amigos do peito e em quais ministérios e/ou estatais vai, finalmente, rolar aquela graninha abençoada. Enquanto algum abelhudo da PF não resolve grampear telefones suspeitos.
Vavavá – Apesar da semelhança não existe a menor coincidência com pessoas vivas ou mortas e tampouco será destinada a bisbilhotices em torno da probabilidade marota de laços de parentesco entre investigados e quaisquer autoridades da República, nessa e nas próximas cinco gerações.
White-collar – Esnobando o auxílio prestimoso da CIA e do FBI, afinal estamos habilitados a nos virar por conta própria, assim se chamará o esforço inaudito para não melar as mãos ao manusear os imaculados colarinhos da malandragem com direito a retrato na coluna social. Com o devido crédito ao Chico Buarque…
Xaveco – Policiais com habilidade comprovada e experiência em casos análogos serão encarregados da oitiva dos detidos para averiguação e, destarte, amplamente capacitados a separar o joio do trigo e identificar, de cara, aquele tipo inzoneiro que chama urubu de meu louro e jura que focinho de porco é tomada.
Yin-yang – Aqui o buraco é mais embaixo e a assessoria competente de iniciados no budismo-zen é indispensável. É uma tortura submergir nas profundezas da alma para tocar as partes mais esconsas das forças que mantêm o equilíbrio entre o bem e o mal. Trocando em miúdos: estabelecer a linha exata entre a merreca do serviço público e o imponente Land Rover na garagem.
Zurrapa – Na falta de champanhotas e ?puros? de Havana para comemorar a fatura de mais alguns milhões dos cofres da Viúva, ergam-se os brindes com a beberagem avinagrada da vergonha nacional, sua majestade, a corrupção.
Chávez
Daqui a vinte anos cientistas políticos tentarão explicar Chávez e o chavismo, como já se fez com Fidel Castro e o castrismo. E, então, como profetizou Marx, a história que uma vez foi tragédia, terá se repetido como farsa. A empreitada será definir o que foi o chavismo e sua relação com o ?socialismo do século XXI?, bem ainda os inevitáveis liames dessa conjuração de incógnitas com o derrogado marxismo-leninismo.
Hoje sabemos que o castrismo jamais teve pensamento político sério, porque lhe faltou justamente um pensador político sério. O enunciado é de Theodore Draper, que nos anos 60 e 70 ensinava teoria comunista na Universidade de Harvard. Talvez esse venha a ser apontado como o defeito do chavismo daqui a duas décadas. Ou menos.
Para Draper, o castrismo era um líder em busca de um movimento, um movimento em busca de poder, e o poder em busca de uma ideologia. O final da estrada do espalhafatoso major de Caracas poderá ser igual ao de seu mestre: ?Castro não tinha um núcleo ideológico próprio e encheu o vazio em si mesmo com diferentes ideologias, para servir seu poder de formas diferentes, em fases diferentes de sua carreira política?. Quem viver verá.
Ivan Schmidt é jornalista.