O governador Roberto Requião, nos últimos tempos, tem merecido a atenção da chamada grande imprensa não pela destrambelhada administração, que ao ser julgada do ponto de vista da eficiência e rentabilidade certamente será qualificada como a mais devastadora da história recente do Estado, mas pela inigualável capacidade dentre todos os políticos brasileiros, em especial os demais governadores, de cometer sandices, proferir baboseiras ou regurgitar infâmias contra aqueles que sua embotada percepção elegeu como “inimigos”. O pequeno tirano compartilhou com o prefeito César Maia (RJ), mais conhecido hoje como o pai dos factóides e pelo estilo galhofeiro com que finge administrar a ex-Cidade Maravilhosa, uma chamada de 15 linhas na edição de ontem da Folha de S. Paulo, sob o emblemático título “Requião e César Maia driblam decisão do STF antinepotismo”.

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No interior do primeiro caderno, na prestigiada seção “Brasil” o título no alto da página A11 é bem mais incisivo: “Requião dribla STF e mantém irmão e mulher no governo”, encimando foto de duas colunas em que a primeira-dama aparece sendo abraçada pelo marido, exibindo um largo e, ao que tudo leva a crer bem-remunerado sorriso. A matéria assinada pelos jornalistas Dimitri do Valle e Ítalo Nogueira, baseados respectivamente em Curitiba e Rio de Janeiro, abre enfatizando que o “governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e o prefeito do Rio, César Maia (DEM), mudaram o status de parentes para driblar a súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede a contratação de parentes até terceiro grau nos três poderes”.

Segundo o jornal paulista, o governador mudou a função de sua mulher, Maristela, e do irmão Eduardo, que têm cargos no governo e “transformou-os em secretários especiais”. Aliás, os meios políticos locais davam como favas contadas a fisiológica saída encontrada por Requião para manter os familiares à custa do erário, quem sabe, para ratificar de uma vez por todas ante a aturdida sociedade paranaense seu zelo fundamentalista em relação aos postulados da Carta de Puebla e à opção preferencial pelos pobres. Maristela foi nomeada secretária especial para permanecer na direção do Museu Oscar Niemeyer, ao passo que o mano Eduardo viu-se regalado com idêntica prodigalidade mediante a criação da holográfica secretaria especial de Assuntos Portuários, a fim de prosseguir no comando do Porto de Paranaguá. Não foi preciso incluir no mesmo altruístico pacote o irmão caçula, Maurício, porquanto teve seu futuro assegurado pelo cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), cujo esforço inaudito lhe rende tão-somente uma acanhada espórtula em troca da doação do inesgotável iluminismo jurídico-administrativo de que é dotado, ou seja, a mais alta remuneração paga aos servidores públicos de Pindorama.

Para o zumbi político que amedronta os passantes dos corredores do Palácio das Araucárias, para vergonha de seus eleitores e frustração da sociedade, a medida foi necessária para garantir a continuidade do “excelente desempenho que os Portos de Paranaguá e Antonina vêm mantendo desde 2003”. A Folha fez um contraponto interessante ao lembrar que o governador sempre se proclamou um “nepotista esclarecido”, recurso usado à náusea para engambelar a opinião pública quanto à nomeação dos parentes. Nesse particular, a melhor designação seria a de déspota esclarecido, expressão consagrada pelos usos e costumes a ela atribuídos por seu representante mais ilustre e derradeiro, o Marquês de Pombal. Em se tratando do enfezado caudilho do Cangüiri, acrescentar qualquer adjetivação que esconda seu gosto pelo cabotinismo autoritário é assumir um comportamento restrito aos áulicos e serviçais.

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Na realidade, o governador do Paraná e o prefeito do Rio se igualam também na desdita de ver seus candidatos a prefeito nos últimos lugares da fila. O eleitor apanha, mas acaba aprendendo.