Olhos em 2010

O final da semana passada foi marcado pelo encontro do PSDB em Foz do Iguaçu. Foi, oficialmente, uma reunião sobre o agronegócio, mas a presença dos caciques tucanos deixou claro que o tema principal era eleição, o pleito de 2010 que escolherá presidente da República, governadores dos estados, dois terços do Senado Federal, toda a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas. Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, estiveram na cidade do oeste paranaense. E, além deles, brilhou o prefeito de Curitiba, Beto Richa, que surgiu definitivamente como o favorito do partido para ser o candidato ao governo do Paraná.

Tudo perfeito, mas só faltou combinar com outro personagem: o senador Alvaro Dias. Pré-candidato anunciado ao governo (o que o prefeito de Curitiba ainda não fez), ele não gostou de ver – e ouvir – os apoiadores de Richa festejarem o êxito do evento em Foz do Iguaçu. Em matéria da edição de domingo de O Estado, o repórter Roger Pereira relatou a reação do senador: “O senador reconheceu a preferência da direção estadual do partido pelo nome de Beto, mas disse que ainda pode convencer o partido de que é a melhor opção, apostando na sua capacidade de aglutinação e nos filiados tucanos. Para o senador, a badalação de sexta-feira pouco influi na definição do candidato tucano. ‘A maioria que estava lá não era militante do partido, era da base de apoio do deputado Alfredo Kaefer, que organizou o evento. Não houve qualquer conversa sobre candidatura, as discussões foram todas sobre agricultura e agroindústria. A candidatura no Paraná só foi abordada por causa dos questionamentos da imprensa’, lembrou”.

Alvaro Dias segue lutando. Apesar de garantir não estar fazendo campanha antecipada, ele está correndo o Estado e se colocando como o único dentro do PSDB que pode criar um arco gigantesco de alianças – que teria, além dos tucanos, DEM, PPS, PP, PTB, PSB e até o PMDB (ele está se aproximando muito do governador Roberto Requião e até deu entrevistas na TV Educativa). E, principalmente, o PDT do senador e irmão Osmar Dias, pois está claro que se um for candidato, o outro não será, apesar de Osmar garantir que vai disputar, aconteça o que acontecer. Joga para o público local e, ao mesmo tempo, para o diretório nacional, que espera ver no Paraná um palanque forte para José Serra, que a cada dia se firma como candidato tucano à presidência.

Mas de nada adiantará convencer o diretório nacional. Alvaro sabe que precisa vencer o comando local do PSDB, engajado na candidatura de Beto Richa ao governo estadual. E também a tremenda popularidade do prefeito de Curitiba, que o coloca como favorito em todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos meses. Conscientes disso, Serra e Aécio estão cortejando Richa, sabem que precisarão dele em 2010 – e se é para contar com o prefeito, que ele saia como o cabeça-de-chapa.

O trabalho tucano será convencer Osmar Dias a não se enfeitiçar pelo “canto da sereia” do governo federal e topar encarar uma reeleição ao Senado. Não será fácil, pois se Beto e Alvaro pretendem se candidatar, Osmar já é candidato, faz palestras por todo o Estado e arrebanha apoios de prefeitos e de partidos.

Ao mesmo tempo, não se sabe o que acontecerá caso Osmar Dias confirmar a sua candidatura. Alvaro não será postulante ao governo, seguirá por mais quatro anos no Senado. Mas estará ao lado do partido ou do irmão? Não se pode negar o potencial eleitoral do senador, que foi eleito em 2006 com mais votos que Roberto Requião.

É o cacife que Alvaro vai exibir até o ano que vem, quando será definido o candidato do PSDB ao governo do Paraná – que, por enquanto, está mais para ser Beto Richa.

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