Clemente Ivo Juliatto

continua após a publicidade

Um dos deveres cotidianos das pessoas e das organizações é olhar para dentro de si mesmas. A figura do espelho pode ser sugestiva. Se alguém não gosta do que vê no espelho, a solução não é quebrar o espelho ou deixar de usá-lo, mas mudar a imagem. A introspecção ajuda a clarificar a identidade, reforçar valores, identificar virtudes e defeitos, conhecer melhor potencialidades, oportunidades e limitações. Igualmente, põe a descoberto problemas e insiste numa solução dos mesmos, clarifica expectativas da comunidade, mapeia tendências e orienta a ação administrativa.

Na área educacional, avaliações periódicas do grau de qualidade e desempenho são instrumentos eficazes na promoção da melhoria das instituições. Os benefícios advindos desses meios e práticas recomendam o seu uso por todas as pessoas. A avaliação, evidentemente, não é um fim em si mesmo, como também não o são as outras funções administrativas. Ela é apenas um meio a serviço de importantes propósitos: aprimoramento organizacional e garantia que estão sendo ofertados bens e serviços de qualidade.

Ao trazer novamente para o primeiro plano de discussão a questão da qualidade do ensino e da efetividade do desempenho, o exercício da avaliação tanto revaloriza a vocação pedagógica, educacional, científica e comunitária da universidade, quanto ajuda a implantar uma cultura voltada para a busca permanente da excelência. Este esforço garante aos estabelecimentos educacionais maior credibilidade e respeito junto à comunidade acadêmica e sintonia junto à sociedade.

É fundamental lembrar que, depois de tomada a decisão de implementar as atividades de avaliação numa instituição, o plano precisa ser, cuidadosamente, preparado e obedecer a passos lógicos. O êxito da iniciativa depende da qualidade do plano e da habilidade dos administradores na implantação e na condução do processo.

continua após a publicidade

As atividades de avaliação de desempenho podem ser, mais ou menos, sofisticadas. Todas, no entanto, devem, necessariamente, conter os seguintes elementos, listados de maneira seqüencial por Don E. Gardner: (1) identificação dos objetivos gerais e específicos do projeto, do programa ou do que vai ser avaliado; (2) clarificação das variáveis que afetam o desempenho; (3) identificação dos critérios (padrões) pelos quais o desempenho será julgado; (4) desenvolvimento ou identificação de instrumentos, técnicas e procedimentos para a coleta de informação relativa ao desempenho; (5) coleta de dados relativos ao desempenho; (6) comparação da informação relativa ao desempenho com os padrões preestabelecidos (o que resulta num julgamento de valor); (7) comunicação dos resultados da avaliação às audiências apropriadas.

Modelo proposto por James Nichols e outros insiste que a última etapa da avaliação deve incluir, necessariamente, a utilização dos resultados. O aperfeiçoamento e a melhoria do desempenho serão alcançados por meio dos ajustes que, eventualmente, devam ser feitos na missão da instituição, nos seus objetivos gerais e específicos, no estabelecimento de novas metas de planejamento, na adoção de expectativas e de padrões de desempenho mais realistas ou exigentes, na adoção de decisões relativas ao desenvolvimento, reformulação, criação ou extinção de programas e atividades e outras medidas cabíveis. Visando facilitar a utilização efetiva das descobertas, que é a única razão que justifica a implantação da atividade avaliativa, recomenda-se que o relatório da avaliação inclua, na sua parte final, uma seção contendo um cronograma com recomendações para a ação.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.

continua após a publicidade