Um dos deveres cotidianos das pessoas e das organizações é olhar para dentro de si mesmas. A figura do espelho pode ser sugestiva. Se alguém não gosta do que vê no espelho, a solução não é quebrar o espelho ou deixar de usá-lo, mas mudar a imagem. A introspecção ajuda a clarificar a identidade, reforçar valores, identificar virtudes e defeitos, conhecer melhor potencialidades, oportunidades e limitações. Igualmente, põe a descoberto problemas e insiste numa solução dos mesmos, clarifica expectativas da comunidade, mapeia tendências e orienta a ação administrativa.
Na área educacional, avaliações periódicas do grau de qualidade e desempenho são instrumentos eficazes na promoção da melhoria das instituições. Os benefícios advindos desses meios e práticas recomendam o seu uso por todas as pessoas. A avaliação, evidentemente, não é um fim em si mesmo, como também não o são as outras funções administrativas. Ela é apenas um meio a serviço de importantes propósitos: aprimoramento organizacional e garantia que estão sendo ofertados bens e serviços de qualidade.
Ao trazer novamente para o primeiro plano de discussão a questão da qualidade do ensino e da efetividade do desempenho, o exercício da avaliação tanto revaloriza a vocação pedagógica, educacional, científica e comunitária da universidade, quanto ajuda a implantar uma cultura voltada para a busca permanente da excelência. Este esforço garante aos estabelecimentos educacionais maior credibilidade e respeito junto à comunidade acadêmica e sintonia junto à sociedade.
É fundamental lembrar que, depois de tomada a decisão de implementar as atividades de avaliação numa instituição, o plano precisa ser, cuidadosamente, preparado e obedecer a passos lógicos. O êxito da iniciativa depende da qualidade do plano e da habilidade dos administradores na implantação e na condução do processo.
As atividades de avaliação de desempenho podem ser, mais ou menos, sofisticadas. Todas, no entanto, devem, necessariamente, conter os seguintes elementos, listados de maneira seqüencial por Don E. Gardner: (1) identificação dos objetivos gerais e específicos do projeto, do programa ou do que vai ser avaliado; (2) clarificação das variáveis que afetam o desempenho; (3) identificação dos critérios (padrões) pelos quais o desempenho será julgado; (4) desenvolvimento ou identificação de instrumentos, técnicas e procedimentos para a coleta de informação relativa ao desempenho; (5) coleta de dados relativos ao desempenho; (6) comparação da informação relativa ao desempenho com os padrões preestabelecidos (o que resulta num julgamento de valor); (7) comunicação dos resultados da avaliação às audiências apropriadas.
Modelo proposto por James Nichols e outros insiste que a última etapa da avaliação deve incluir, necessariamente, a utilização dos resultados. O aperfeiçoamento e a melhoria do desempenho serão alcançados por meio dos ajustes que, eventualmente, devam ser feitos na missão da instituição, nos seus objetivos gerais e específicos, no estabelecimento de novas metas de planejamento, na adoção de expectativas e de padrões de desempenho mais realistas ou exigentes, na adoção de decisões relativas ao desenvolvimento, reformulação, criação ou extinção de programas e atividades e outras medidas cabíveis. Visando facilitar a utilização efetiva das descobertas, que é a única razão que justifica a implantação da atividade avaliativa, recomenda-se que o relatório da avaliação inclua, na sua parte final, uma seção contendo um cronograma com recomendações para a ação.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.