Obama ou McCain?

É hoje a mais importante eleição da história dos Estados Unidos. É possível dizer que o pleito mais importante é sempre o próximo, mas nenhum teve a carga emocional como o deste 4 de novembro de 2008. A chance de uma vitória do democrata Barack Obama, negro e liberal, está permitindo toda sorte de expectativas sobre a “mudança” que ele promete para aquele país. Caso não vença, assumirá o republicano John McCain, veterano e herói da guerra do Vietnã que não tem sequer a aprovação do seu partido (por ser “radical” demais dentro do conservadorismo).

McCain precisa de uma recuperação sensacional para se transformar em presidente. Caiu nas pesquisas com declarações preconceituosas e com as trapalhadas de sua candidata à vice-presidente, a ex-governadora do Alasca, Sarah Palin. Sem a confiança dos partidários e contando com aqueles que não conseguem admitir um negro na Casa Branca, o candidato republicano joga por um milagre e com a incongruência do colégio eleitoral norte-americano – pode até perder no voto, mas ganhar no número de delegados.

A tendência é a vitória de Barack Obama. E a tendência é de uma reação global à sua vitória. Há muito não se via tamanho frenesi para um candidato à presidência dos Estados Unidos. É certo que os últimos postulantes não eram tão carismáticos assim, mas Obama conseguiu arrebanhar fiéis e fãs como se fosse um cantor pop – por sinal, a música-tema de sua campanha é Beautiful Day, do grupo irlandês U2, cantada por Bono, um dos inúmeros artistas que apóiam desbragadamente o democrata.

Bom de discurso, esperto em captar as tendências da sociedade norte-americana, especialista em debates e em programas de TV, Barack Obama está muito perto da vitória e da possibilidade de transformar em realidade tudo que prega em seus discursos. A mudança que ele defende é a mesma de muitos, e por isso a empolgação.

Obama chega ao dia da eleição com o poder messiânico que norte-americanos e brasileiros conhecem. Lá, ele é a reencarnação negra de John Kennedy. Cá, ele leva um bom jeito de Fernando Collor. Se ele é mais Kennedy ou mais Collor, só o tempo dirá.

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