Duas semanas de agonia. Na verdade, são quase seis meses de agonia desde que o governador do Estado decidiu que seu “primeiro-irmão”, o então secretário da Educação, Maurício Requião, seria um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Mas, como é de praxe nas hostes governistas, não se tomou uma decisão democrática, e sim autoritária. E é na base da situação que está a explicação para a crise que quase paralisa um dos mais importantes órgãos do Judiciário paranaense.

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Antes de se saber se Maurício Requião seria ou não a pessoa ideal para estar no TCE, o governador – apoiado, sempre com aplausos, pelos seus áulicos – simplesmente quis que o irmão assumisse o posto. Pelo que se percebe, não pela importância e responsabilidade, mas por ser vitalício e com régio salário. Como se isso fosse, puramente, a razão para se escolher um conselheiro do tribunal.

Lá estão pessoas de competência e capacidade para avaliar temas áridos – já imaginou auditar as contas de um município, ou do Estado? É uma tarefa árdua, que exige trabalho e dedicação totais. Funcionários e conselheiros do TCE, cada um do seu modo, são abnegados, que buscam sem trégua as irregularidades que fazem os governos gastarem mais que o necessário. Não é um lugar para ganhar dinheiro fácil, muito pelo contrário.

Mas o Tribunal de Contas foi reduzido, pelo governador, ao seu mínimo múltiplo comum. Esqueceram-se de todas as atribuições tão importantes em nome da “estabilidade” de Maurício. Foi isso que fez a sociedade paranaense estrilar -mesmo com a anuência dos deputados estaduais, que não promoveram resistência à unção do ex-secretário.

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Empossado, foi impedido de trabalhar por uma liminar. Cassou a liminar e trabalhou um dia. No seguinte, nova liminar e novo afastamento. Ontem, outra tentativa para voltar ao TCE. E o órgão fica refém dos desígnios do governador e de seu irmão, que não descansarão até terem seus objetivos atingidos. Pior para o tribunal, que sofre com a situação e com o seu “ex-futuro-ex” conselheiro.