“Nós queremos que o Atlético seja dos atleticanos.” A frase partiu do presidente do Clube Atlético Paranaense, Marcos Malucelli, em evento preparatório para o aniversário de 85 anos do clube. É este (“O Atlético é dos atleticanos”) o mote para todas as cerimônias e iniciativas prometidas para os próximos dias. Fica, de novo, evidente, a força que o atual comando rubro-negro faz para dissociar-se do estilo centralista de Mário Celso Petraglia.
Hoje afastado da diretoria, e considerado por muitos de oposição a Malucelli, o ex-presidente Petraglia está tentando, dentro do Conselho Deliberativo do Atlético, uma manobra que atrapalhe a gestão atual, e que em longo prazo inviabilizaria a presidência – fazendo com que ele, tal e qual um Juan Perón de vermelho e preto, volte nos braços do povo.
Mas o povo nunca foi o interesse de Petraglia. Em conversas com interlocutores, ele desvaloriza a importância da torcida do Atlético, que é a maior do Estado, e prefere pensar nos lucros vultosos que um clube de futebol pode gerar. Hoje, entretanto, o interesse do comando rubro-negro é reaproximar aquele que sempre foi chamado de “time do povo” de sua gente.
Tal intenção fica escancarada na iniciativa contada pelo repórter Clewerson Bregenski, na edição de ontem de O Estado: “ação mais importante que integra diversos setores do clube e gera benefícios à sociedade paranaense é, sem duvida, o projeto ‘Furacão Social’. Nele estão envolvidos todos os 257 conselheiros atleticanos, divididos em 25 grupos, que desenvolverão atividades permanentes de ajuda ao próximo e que geram empatia do público ante o Atlético”.
É uma ação inédita e bem-vinda. Como diz Marcos Malucelli, “o Atlético não é meu, nem do (presidente do Conselho Deliberativo, Gláucio) Geara, nem de ninguém. É de sua torcida, é do povo”. Há sócios, há torcedores, há ricos, há remediados. Atleticanos há de todas as raças, credos e cores. E todos – não só os que têm dinheiro para comprar cadeiras, camarotes ou camisas – merecem o respeito e o carinho de seus comandantes.