Enquanto a sociedade espera, as surpresas acontecem. Na quinta-feira, quando se imaginava que o crime do Morro do Boi poderia se encaminhar para uma definição, o caso chegou a um impasse. A repórter Mara Cornelsen contou na edição de ontem de O Estado: “Afirmando que foi torturado por policiais militares e também dentro da delegacia de Matinhos, Paulo Delci Unfried voltou atrás, ontem, e negou ter sido o autor do crime cometido no Morro do Boi, em Caiobá, em 31 de janeiro. Colocado frente a frente com a vítima Monik Pergorari de Lima e com Juarez Ferreira Pinto, outro acusado do crime, disse não conhecê-los. Monik, como já era esperado, também não reconheceu Paulo seu agressor, e voltou a apontar Juarez como autor do delito”.
Em resumo, o crime que estava resolvido segundo a Polícia, em apenas um mês teve duas reviravoltas. Primeiro, com o surgimento no caso de Paulo Unfried, que se declarou o assassino de Osíris Del Corso, namorado de Monik. Depois, com a inacreditável acareação de quinta, quando nada se resolveu e tudo se complicou, com a citação até de um terceiro suspeito. E, para completar, a acusação de tortura feita por Paulo, que recai sobre vários policiais.
Neste momento, a sensação que se tem é que os órgãos de segurança estão iguais a qualquer um de nós -completamente perdidos no caso. A diferença é que nós temos até o direito de não entendermos o que acontece, ainda mais depois da decretação do segredo de Justiça sobre o crime do Morro do Boi. O problema é ver as autoridades atarantadas, com todas as evidências que tinham sendo postas em dúvida.
A única pessoa que se coloca com o mesmo discurso nesta história toda é Monik Pergorari de Lima. Desde os primeiros dias de investigação ela aponta Juarez Ferreira Pinto como o responsável pela morte de seu namorado. A posição dela pode ser fruto do trauma do ocorrido em janeiro, mas é firme e até onde se sabe irredutível. Neste momento, em que nada é conclusivo, é importante levar em conta o que Monik diz.