O sumiço dos livros

A edição de quinta-feira de O Estado trouxe uma notícia surpreendente: a apreensão de livros didáticos, aqueles destinados apenas aos professores, tanto que contam com as respostas dos exercícios, em sebos de Curitiba. Somente na quarta-feira foram encontrados 400 livros em lojas de livros antigos. Foi necessária a obtenção de um mandado judicial para realizar a tarefa.

Conta a repórter Luciana Cristo: “A venda de livros didáticos do professor é considerada crime similar ao comércio de CDs piratas. Em Curitiba, a campanha foi realizada após a obtenção de mandado judicial. Os livros incluem disciplinas diversas, como Biologia, História, Português e Matemática, dos ensinos fundamental e médio. (…) Todos os sebos alegaram à polícia que não sabiam que não podiam vender os livros com os selos. Tendo em vista as ações de outras capitais, a apreensão de Curitiba foi considerada pequena. Entre as maiores estão as apreensões de Fortaleza (6 mil exemplares), Recife (5 mil) e São Paulo (4 mil)”.

A reportagem ainda informa que a Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), a entidade que coordena a busca destes livros escolares, já apreendeu cerca de 30 mil unidades em três anos de atividade.

A pergunta que fica é a seguinte: como estes livros didáticos chegam aos sebos? Por mais que imaginemos que alguns deles poderiam ter sido negociados por professores que não usariam mais o material, o volume não seria tanto, não seriam trinta mil (mesmo em três anos). A rigor, não seriam sequer os 400 recolhidos na última quarta-feira.

Então, esses livros saem das editoras para as lojas? Esta hipótese também é remota, pois é justamente a entidade que congrega os editores de livros que está fazendo as buscas.

Sobram, então, as escolas. Então os livros saem dos colégios para os sebos? Seria justamente o último lugar que pensaríamos, mas é uma possibilidade real. Viveríamos, então, uma situação inacreditável – os livros destinados para os professores são desviados logo onde eles deveriam ficar. Seria o fim.

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