O risco da intolerância

Foi realizada ontem, em Curitiba, a reconstituição do crime que vitimou Bernardo Dayrell Pedroso, de 24 anos, e sua namorada Renata Waecheter Ferreira, de 21 anos. Eles foram mortos por integrantes do movimento neonazista, numa suposta disputa de poder. As últimas edições de O Estado e da Tribuna do Paraná relatam todos os capítulos desta história de trágico final e de consequências preocupantes.

O repórter Márcio Barros contou ontem: “Os novos depoimentos prestados pelos integrantes do movimento neonazista no Brasil revelaram que (…) outras duas pessoas já estavam marcadas para morrer. Segundo o delegado Francisco Caricati, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), o líder do grupo, Ricardo Barollo, de 34 anos, acusado de ser o mandante do crime, já havia definido que duas pessoas, uma no Rio Grande do Sul, outra em São Paulo, seriam as próximas vítimas”.

Tudo para que uma doutrina pretensamente mais agressiva fosse predominante. Mas, convenhamos, dentro de uma facção inominável como a dos neonazistas, não há mais ou menos agressivos. A prova está exatamente no ato cometido na semana passada, quando duas pessoas foram mortas com crueldade.

E um casal que estava integrado àquela realidade. E que, portanto, não seria uma “ameaça” visível para os neonazistas. Mesmo assim, foram assassinados, ou melhor dizer executados, friamente, deixando claro que não há limites para estes elementos.

E se eles fizeram isso com “iguais”, imagine o que pretendem fazer com aqueles que não estão dentro da definição ariana de raça pura, que guia os seguidores das ideias do sanguinário Adolf Hitler. Negros, mestiços, mulatos, cafuzos, morenos – em resumo, todos nós somos alvo em potencial destes grupos, que não existem somente em Curitiba, mas em várias cidades do Brasil e do mundo.

Identificar e coibir as ações dos neonazistas é obrigação dos órgãos de segurança pública. Eles são, da forma que se apresentam, um perigo para a sociedade e um risco para determinadas minorias. É o risco da intolerância. Por isso, é preciso fazer algo. E logo.

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