A semana esportiva foi marcada pela radical decisão da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que mudou a regra de classificação da Fórmula 1, a principal categoria automobilística do planeta – e o segundo esporte em audiência no Brasil, atrás apenas do futebol. Segundo a decisão, a partir desta temporada, que começa no próximo domingo, em Melbourne, na Austrália, o campeão será aquele que vencer mais corridas, e não o que marcar mais pontos, como era até 2008.
Quer dizer, seria assim. Não deve ser surpresa se amanhã a entidade mudar de idéia, adiar a alteração para o ano que vem ou, até mesmo, desistir da iniciativa. Isto porque a mudança foi bombardeada por críticos, donos de equipe e pilotos – estes, os mais afetados, pois o chamado campeonato de construtores não sofreu alteração. As reações foram fortes, como demonstram as declarações de Fernando Alonso (“Os desejos das escuderias, dos pilotos e de todos os fãs foram simplesmente ignorados”), Jenson Button (“As pessoas terão problemas para entender por que o piloto com 60 pontos pode ser campeão em vez daquele que marcou 100”), Jarno Trulli (“Parece que a Fórmula 1 quer morrer, e então teremos de ir para outras categorias”) e Mark Webber (“Às vezes é difícil saber para onde a Fórmula 1 está caminhando”).
A irritação dos pilotos se explica. Com a nova regra, a técnica de pilotagem ficaria em segundo plano, abrindo espaço para o arrojo inconsequente.
As estratégias das equipes e dos pilotos pouco valeriam, e a definição de um primeiro piloto em cada equipe seria acentuada. Pior – a Fórmula 1 correria o sério risco de virar uma categoria perigosa no automobilismo. Não que não seja, mas os avanços na segurança hoje deixaram o esporte muito mais seguro.
Só que a luta desenfreada pela liderança (ou para chegar nela) poderia criar perigos para os pilotos, que teriam que passar do limite para ultrapassar os rivais. Poderíamos ter mais e piores acidentes, o que seria péssimo para a categoria.
Mas a preocupação deve acabar amanhã.