Não é novidade a força que o Primeiro Comando da Capital tem, tanto do lado interno quanto do externo dos presídios, dentre eles, os considerados de segurança máxima.
Se alguém ainda duvida, basta ver o número de vítimas que essa facção vem fazendo Brasil afora, com os famosos golpes do telefone, quando, mediante ameaças de morte, mesmo que não cumpridas, mas com capacidade de auferir grandes lucros, extorquem pessoas, utilizando-se da prática de terrorismo emocional, envolvendo, inclusive, familiares.
Já era de se esperar que mais cedo ou mais tarde haveria algum movimento maior do PCC, no sentido de intimidar o governo e os principais responsáveis pelo sistema penitenciário e de segurança paulistas, pois acredita-se que lá seja o foco dessa organização, que cresce a olhos vistos, em todos os estados. É visível seu poder de organização e corporativismo, angariando ?sócios? em quase todos os presídios do País.
Percebe-se que, a um sinal, em qualquer canto do território nacional, surgem mobilizações que se traduzem nas rebeliões, desafiando o poder estatal.
Esse estopim, aceso em São Paulo e espalhado para alguns estados, nada mais é do que o confronto de uma organização estruturada e com objetivos concretos de dominação, contra uma política governamental totalmente falida no que diz respeito aos problemas socioeducacionais e às garantias constitucionais aos cidadãos brasileiros.
Esses atentados que ora ocorrem, vitimando policiais civis, militares e pessoas ligadas a eles, visam atingir, indiretamente, aqueles que não se preocupam com as superlotações de presídios, com investimentos na educação e no social, com a reforma criminal, mas que apenas se utilizam dos fatos para fazer proselitismo e como plataforma de campanha. No entanto, quem geralmente paga são os inocentes, que vivem à sombra de promessas políticas que só são relembradas em ano eleitoral.
A falta de uma política criminal contribui para que facções como o PCC e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, cresçam a passos largos. Cada transferência de líderes desses comandos organizados é como um vírus que se alastra e vai infectando. Com isso, recursos que deveriam ser aplicados em áreas vitais são desviados para deslocamentos de marginais como Fernandinho Beira-Mar, Marcola, entre outros. Um contra-senso, pois gasta-se mais com a manutenção da marginalidade do que com a saúde, educação, agricultura. Esta última, relegada ao descaso, esmorecendo em crise.
Muitos projetos de reforma do sistema penitenciário e da segurança pública até agora não saíram do papel. Enquanto isso, a população, insegura, clama por melhor qualidade de vida, sem precisar viver presa dentro de sua própria casa, mas para que isso ocorra são necessários investimentos na capacitação e qualificação das polícias, com melhores ordenados e aumento do contingente, a fim de inibir a corrupção, pois as polícias são o esteio da segurança e tranqüilidade sociais.
O combate efetivo ao tráfico de drogas – que tem seus líderes não somente nas grandes favelas, mas também em certas elites privilegiadas – deve ser mais rigoroso, pois é o causador da maior parte da criminalidade. Além disso, para aplicação imediata e para surtir efeitos a médio e longo prazos, jamais se deve esquecer que um País de futuro só se constrói quando se dedica maior atenção à infância e à adolescência, com programas consistentes e contínuos. Eis aí uma das fórmulas para minar o poder das mentes criminosas, sem a necessidade de ter que negociar com bandidos a garantia da paz…
João Carlos da Costa – Bel. químico, professor, policial civil, jornalista e acadêmico de Direito da Unibrasil.
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