Em quase todos os dias do mês passado, havia filas nas sedes do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). Motoristas e candidatos a motoristas corriam para tirar carteira (ou renovar) antes da vigência da Resolução 285 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que mudou o número de aulas teóricas e práticas. Imaginava-se que a confusão terminaria com o romper do ano novo, pois aí a regra mudava.

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Mas não terminou. Ontem, as filas começaram antes das 8h, quando o Detran começa a atender os motoristas. Gente chegando cedo, pegando lugar em filas para garantir a vaga da esposa (ou do marido, ou dos filhos), senhas sendo distribuídas e pessoas literalmente perdendo a viagem. Muita irritação, reclamações e lamentações. Quem tenta renovar a carteira de habilitação está passando um janeiro de pesadelo.

Em resposta às reclamações, a assessoria do Detran culpa o calendário – quem sabe o papa Gregório XIII pudesse ser consultado a respeito. Segundo o órgão, há muita gente querendo renovar a carteira de motorista agora, para poder viajar nas férias. Daí o excesso de filas e a dificuldade de quem tenta.

Mas será mesmo? Será que a responsabilidade das filas no Detran é de quem está lá para renovar a habilitação? Ou o Detran não está preparado para atender uma demanda maior de interessados? Nesta semana, também saltou aos olhos a dificuldade das pessoas conseguirem em Curitiba o seguro-desemprego. Pessoas estão chegando de madrugada – e no frio que faz na capital nos últimos dias – e, mesmo assim, não conseguem senhas na Agência do Trabalhador.

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A impressão que se tem é que falta atenção aos contribuintes no final das contas, desempregados e motoristas pagam impostos e “sustentam” esses órgãos. Ninguém se preocupa com as pessoas que não são respeitadas nas filas das autoridades públicas. É como se os que servem à população simplesmente esquecerem que também são cidadãos, iguais aos que sofrem para tirar carteira ou requerer o seguro-desemprego. E que um dia podem ter que encarar as mesmas filas.