Há certo tempo, este espaço registrou a boa notícia da criação de um piso salarial para os professores de R$ 950,00. Afinal, sem bons vencimentos para os mestres é impossível imaginar uma educação pública de qualidade. Lembrou-se que, aqui no Paraná, havia a intenção de ser criado um piso semelhante, o que também foi elogiado. Mas, eis que, passados alguns meses, o governador Roberto Requião decide entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) da lei federal 11.738/07.
Não só ele, mas também os governadores Cid Gomes (Ceará), André Puccinelli (Mato Grosso do Sul), Luiz Henrique da Silveira (Santa Catarina) e Yeda Crusius (Rio Grande do Sul). Segundo o procurador-geral do Estado, Carlos Frederico Marés, ouvido pela repórter Elizabete Castro na edição de ontem de O Estado, a intenção é “preservar o princípio da autonomia que os estados detêm para definir os salários dos seus servidores públicos”.
Ora, que balela. Qual é a intenção dos governadores, incluindo o mandatário do Palácio das Araucárias? Será que eles não concordam com a necessidade de um salário digno para os professores das escolas públicas? Entende-se o princípio federativo do País, mas não pode ser uma argumentação retórica a impedir a melhoria de vida dos professores e a conseqüente melhora do ensino das crianças e adolescentes.
Ainda mais com a informação passada pelo procurador Carlos Marés. Informa a repórter Elizabete Castro: “Ele explicou que o piso salarial do magistério do Paraná já está acima do valor fixado na lei. O Paraná paga R$ 1,3 mil por quarenta horas semanais. E que o aumento de 20% para 33% do número de horas-atividade seria cumprido pelo Estado, sem maiores transtornos”.
Se isto é verdade (esperamos que sim), por que assinar a Adin? Que birra justificaria brecar a intenção do governo federal? Estamos tão carentes de boas notícias que esta mereceria fogos de artifício. Mas o governador do Paraná, o da Carta de Puebla, não parece preocupado com o bem comum. E os professores continuam esperando.