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O ex-deputado estadual e empresário Antônio Celso Garcia, o Tony Garcia, foi condenado a seis anos de trabalhos comunitários pelo juiz Sérgio Fernando Moro, da 2.ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Ele foi punido por lesar milhares de clientes do Consórcio Nacional Garibaldi, que faliu em 1994 e deixou o povo na mão. Além de cumprir os serviços comunitários, o ex-político já depositou quase onze milhões de reais para ressarcir os consorciados.

Seria ousado dizer que os exatos R$ 10,8 milhões são o preço da liberdade de Tony Garcia?

É correto dizer que ele está pagando pelo que fez, pelos crimes que cometeu. Afinal, pagou à Justiça e terá que cumprir sua pena nos próximos seis anos. Convenhamos, também, que é justo que “inimigos da lei” sejam punidos com serviços comunitários afinal, é o mínimo possível a se fazer para pagar à sociedade. E, em última análise, que muitos empresários que prejudicaram a população (em diversos ramos de atividade) estão soltos, e nem se preocupam com os processos que têm.

Ao mesmo tempo, será que a Justiça não deveria obrigar o empresário a pagar tudo que ficou perdido pelo caminho. O prejuízo do Consórcio Garibaldi, pelos dados do próprio Judiciário, supera os R$ 40 milhões em valor nominal e, em valores atuais, mais de R$ 100 milhões.

Portanto, Tony Garcia não vai ficar preso para cumprir serviços comunitários e pagando cerca de 10% do desfalque total do Garibaldi. O crime financeiro cometido por ele e por outros dirigentes do consórcio ficou reduzido a 10% do total. E as pessoas que não vão receber o dinheiro que, por justiça, têm direito? Estes são os principais interessados no que o Judiciário está decidindo.

Não à toa, os advogados do empresário e ex-político já anunciaram que ele irá cumprir os serviços comunitários. Como disse a repórter Patrícia Cavallari na edição de ontem de O Estado, “nos próximos dias, o ex-deputado Antônio Celso Garcia, o Tony Garcia, poderá ser visto ajudando na limpeza ou carregando papéis em alguma entidade beneficente”. Mas os crimes financeiros que cometeu não foram – e, pelo jeito, não serão – pagos por completo.

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