O prato frio de Campello

Domingo, O Estado trouxe uma brilhante entrevista da repórter Elizabete Castro com o advogado e ex-secretário estadual (no governo Jaime Lerner) José Cid Campello Filho. Foi ele o artífice da saída do conselheiro Maurício Requião, irmão do governador do Paraná, do posto no Tribunal de Contas do Estado (TCE) – decisão tomada semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e que agora é questionada por Maurício e pelo governo.

Com habilidade, a repórter consegue retirar do entrevistado o sentimento intrínseco, aquele que fez Campello ter mais vontade de ganhar a ação no STF: “(…) quero mostrar ao governador que o poder não é absoluto. Que não se pode através de atos autoritários desonrar as pessoas. E essa é uma forma de eu recuperar a minha honra, ofendida por ele. Sempre pautei a minha vida pela legalidade e pela justiça. (…) Se vingança é o que eu disse antes, então é vingança”.

Vingança, essa palavra dura, é usada pela remissão da prisão de Cid Campello, quando da ação do Ministério Público Estadual no caso Copel/Olvepar. “O governador foi autoritário, arbitrário, injusto, ilegal. Apenas para ganhar votos”, também disse o advogado.

Ficou claro, na entrevista, que havia motivos pessoais, políticos e jurídicos para a ação de José Cid Campello Filho. Foi tudo muito bem articulado, e o resultado foi visto no sucesso da investida com a decisão do Supremo em pedir o afastamento de Maurício Requião do TCE. Apesar da necessidade de conhecimento das razões pessoais do advogado, interessam mais as razões políticas e jurídicas.

Politicamente, Campello é um rival do atual governo do Paraná. E, como é do jogo político, cada lado tenta atrapalhar a vida do outro. Mas, desta vez, havia razões claras, que confrontavam a lei. E foram nelas que o Supremo se baseou para tomar a decisão. Os ministros, os grandes responsáveis pela normalidade jurídica do Brasil, não querem saber o que Campello pensa do governador Roberto Requião, e vice-versa. Menos ainda alguma sede de vingança. Interessa o rigor e o cumprimento à lei. E, assim, decidiram pela saída de Maurício Requião.

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