O site Congresso em Foco, editado pelo jornalista Edson Sardinha, é uma das melhores fontes de informação sobre a vida parlamentar (não confundir com a vida dos parlamentares), embora em muitas ocasiões haja, em matérias tratando da atuação específica desse ou daquele, um entrelaçamento constrangedor de atividades públicas e privadas.
De qualquer forma, abstraída a nuança, o Congresso em Foco nos põe em contato diário com deputados e senadores, acompanhando as atividades desenvolvidas em ambas as casas do Congresso Nacional, oferecendo ao eleitor um termômetro privilegiado para aferir a eficiência do parlamentar em quem votou.
No início da semana deverá estar concluída a votação feita pelos leitores do site para indicar os melhores políticos no Senado e na Câmara. Quando este comentário estava sendo escrito (quinta-feira, 18h30), lideravam a corrida o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado José Carlos Aleluia (PFL-RJ), escolhidos pelo discernimento popular os mais gabaritados parlamentares nacionais na temporada que está no fim.
A grata surpresa dos últimos dias foi a disparada do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), do quinto para o segundo lugar, distanciado de Aleluia por pouco mais de 30 mil votos e com tendência a suplantar o parlamentar fluminense até o final do prazo da votação. O Paraná teria motivo de imenso orgulho ao verificar que dois de seus políticos atuais foram os vencedores do Prêmio Congresso em Foco, numa inequívoca demonstração de que os eleitores têm informações suficientes para estabelecer um juízo de valor próprio, comprovando que sabem das coisas.
Para o deputado Gustavo Fruet, concluindo com extremo brilho o segundo mandato na Câmara e campeão absoluto de votos na eleição de outubro, ser escolhido como o deputado mais importante do ano (mesmo ficando em segundo lugar), é a verdadeira consagração de como um político pode aliar equilíbrio, seriedade e transparência no exercício por inteiro da representação popular. Esse é o coroamento duma carreira pública superior, como há muitos anos não se via em nosso Estado, graças aos méritos pessoais, inteligência e dedicação exemplar de um jovem que escolheu seguir os passos do pai, o grande Maurício, a cuja memória igualmente – e com toda a justiça – presta-se um tributo à altura de contribuição só agora plenamente ratificada.
Numa legislatura que se caracterizou como a pior da história recente do Congresso, período cinzento que mostrou de modo explícito homens públicos escolhidos para fazer leis e fiscalizar o governo, cegos pela concupiscência do lucro fácil, agindo como vendilhões e traindo a confiança dos eleitores, felizmente um grupo de elite se manteve a salvo do vendaval que arrastou tantos desfibrados na volúpia do mensalão e das sanguessugas.
O senador Alvaro Dias e o deputado Gustavo Fruet obtêm o reconhecimento legítimo da acurácia de suas atuações na Comissão Parlamentar de Inquérito que foi ao âmago dos indícios de envolvimento de figuras solares do governo e da base política na trama escandalosa que tomou dinheiro emprestado de bancos, provavelmente havido mediante operações triangulares com algumas estatais, para conceder remuneração extra a deputados da base que votassem em projetos de interesse do governo, o ?mensalão? no dizer do ex-deputado Roberto Jefferson, castigado com a perda do mandato pela imperdoável inconfidência sobre uma das páginas mais degradantes da vida pública nos últimos tempos.
Algo que na interpretação conspicuamente estribada na fartura de indícios de criminalidade, levou o procurador-geral da República, Antônio Fernandes de Souza, a tipificar a ação como resultante da formação de autêntica quadrilha, ao oferecer denúncia dos 40 envolvidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), dentre eles o ex-chefe da Casa Civil, o ?camarada de armas? José Dirceu de Oliveira e Silva.
O Paraná também teve gente sua no lodaçal. Seus nomes já foram para o lixo da história. Ainda bem que se pode contar com Alvaro e Gustavo Fruet.
Ivan Schmidt é jornalista.