Em meio ao risco de uma guerra civil na Bolívia, surge uma possibilidade de acordo. Os líderes de oposição ao governo de Evo Morales acenam para a negociação, mas querem que alguns compromissos sejam assumidos pelo presidente. Entre eles, o da presença do Brasil como mediador entre os dois lados beligerantes bolivianos. A posição foi externada no fim de semana por autoridades do departamento (estado) de Santa Cruz, e reforça o País – e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – como líder regional.
“Esperamos o Brasil e o presidente Lula – e vamos exigir hoje que o Brasil esteja presente no diálogo – ante qualquer possibilidade que possa haver de negociação ou uma facilitação. O Brasil é uma garantia de que isso pode ter uma solução”, afirmou o governador do departamento de Santa Cruz, Ruben Costas, um dos principais comandantes da resistência ao poder de La Paz.
Hoje, em Santiago, na reunião extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o presidente Lula defende a solução negociada para a crise na Bolívia, no que está certo. Mas traz esta opinião sabendo também de seu papel na resolução deste delicadíssimo caso – que está, graças às bobagens de Evo Morales e de seu colega venezuelano Hugo Chávez, prestes a se tornar de todo o continente.
Morales sabe que pode contar com Lula. O presidente da República mantém-se em distância regulamentar da confusão, mas é um aliado preferencial da Bolívia. E não é uma aliança política, mas também econômica. E por ser econômica é que os oposicionistas também querem Lula, pois sabem que ele impedirá maluquices do presidente boliviano para não criar tensões na América do Sul – e, para isso, pode ameaçar com o final dos investimentos no país vizinho.
Defendendo os interesses brasileiros (e, por tabela, dos bolivianos), Lula é peça fundamental na solução pacífica da crise na Bolívia. Ele pode, sem dúvidas, resolver o problema, e com seu estilo cordato, o presidente do Brasil pode ampliar sua influência no continente, o que é muito importante para nossa diplomacia.