Felipe Aquino
Pela primeira vez, o papa Bento XVI visita um país não europeu, vindo ao Brasil no próximo mês. Sob vários aspectos, trata-se de um fato de importância muito grande. Em primeiro lugar, o Brasil é o país que tem mais católicos no mundo, com cerca de 75% da população católica. Ainda que muitos não tenham uma vivência real de sua fé, isso reforça a figura do papa como uma referência para a maior parte do povo.
João Paulo II sempre arrastou as multidões atrás de si. Bento XVI não deve ser diferente. O povo brasileiro, por sua profunda religiosidade, sempre vê no papa ?o homem de Deus? e aquele ?que vem em nome do Senhor?. Por isso, ouvirá a sua voz e acolherá suas palavras, que deverão tocar nos principais problemas que afligem a igreja e seus fiéis. Para muitos, será a única oportunidade de ver o papa.
Não há dúvida de que o papa falará dos problemas sociais que o povo da América Latina enfrenta: a brutal concentração de renda e a falta do mínimo necessário para a sobrevivência de muitos. Sem dúvida, ele trará o seu alento àquele que sofre no corpo ou na alma, apresentando o remédio de Deus para todos. Certamente, ele falará dos graves problemas e ameaças que sofre a família em nossos dias: aborto, divórcio, segunda união, casamento de homossexuais, manipulação de embriões, uso de células-tronco embrionárias, eutanásia, etc. Ainda que muitos não concordem com o seu discurso, ele não deixará de apontar para o povo católico os caminhos ensinados pela igreja.
O papa vem, também, para a 5.ª Conferência dos Bispos da América Latina.
Trata-se de um evento de grande importância para o continente, em que ele e os bispos vão analisar a situação de evangelização na América Latina – que ele chama de continente da ?esperança cristã?. Certamente, suas palavras vão animar a evangelização em um contexto difícil de relativismo religioso e moral, em que Cristo e a Igreja Católica são muitas vezes deixados de lado, enquanto crescem as seitas.
O discurso inaugural que o papa fará na 5.ª Conferência será temático para os bispos em seus estudos e análises da missão da igreja na América Latina.
Durante cerca de 25 anos, ele foi o braço-direito do papa João Paulo II como prefeito da Congregação da Fé e pôde conhecer bem os problemas da igreja na América Latina. Isso lhe dá a oportunidade de propor caminhos e soluções para a missão evangelizadora da igreja em nosso continente. Não há dúvida de que suas palavras vão ser um referencial para os estudos e programas pastorais das dioceses.
Não menos importante é o fato da canonização do primeiro santo nascido no Brasil, frei Antônio Galvão. Isso é um marco para o Brasil, sinalizando que outros santos brasileiros poderão em breve ser canonizados, a exemplo do que João Paulo II disse: ?O Brasil precisa de santos, de muitos santos!?.
Certamente, o papa vai falar da importância da santidade para os cristãos, para o País e para a igreja. Ele tem dito que a santidade dos seus filhos é a força mais poderosa da igreja na missão de evangelizar.
Por fim, o papa vem também como homem da paz. Aquele que traz em seu traje branco a esperança de um mundo novo onde reine a paz e a vitória sobre a morte. A esse povo sofrido e amedrontado pelo sofrimento, ele virá trazer a luz de Cristo que ilumina as trevas do pecado, do medo, da angústia, da tristeza e da morte.
Felipe Aquino é teólogo e apresentador dos programas Escola da Fé e Trocando idéias, na TV Canção Nova.