O ouro de Cielo

Não há quem não tenha – no mínimo – se emocionado com o que viu na alta noite de sexta-feira, no centro aquático de Pequim. O Hino Nacional era tocado pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, e no momento em que ele seria cantado o nadador César Cielo, medalha de ouro nos 50 metros livre, começa a chorar copiosamente.

Em pé, com ouro no peito, protagonista da penúltima noite da natação nas Olimpíadas, Cielo era o retrato da emoção à flor da pele. Era o brasileiro típico – o homem cordial, como dizia Darcy Ribeiro – se apresentando para o mundo. Isto após ele comprovar na piscina o acerto na decisão de treinar nos Estados Unidos com um técnico australiano. Apesar da reação negativa de outros técnicos e atletas, a presença de Brett Hawke (com quem César teve algumas discussões às vésperas dos Jogos Olímpicos) com a equipe brasileira se mostrou decisiva com a conquista do título olímpico.

Mas por mais que fosse um triunfo do treino e da obstinação, era uma vitória de um brasileiro, emotivo, familiar, amigável. César Cielo, assim, promoveu uma festa ainda não vista nos Jogos, com a invasão de seus colegas após a cerimônia de entrega das medalhas. E com o choro, que ganhou capas de jornais e as manchetes da TV, ele também recebeu o carinho de quem estava no inacreditável centro aquático, apelidado de Cubo D’Água. Os aplausos espontâneos, que explodiram junto com as lágrimas do nadador, foram para aquele cara que, no alto do pódio, recuperou muito daquilo que se chama de “espírito olímpico”.

O ouro de César Cielo é o ouro do brasileiro preparado. O nadador tinha o dom para o esporte, e tinha o biótipo para as provas curtas, como os 100 metros livre e 50 metros livre. Mas só isso não resolve. Para se criar um grande atleta, é necessário preparação – e esta começa na infância e segue até a última competição.

Assim Cielo foi preparado. Para ser o atleta excepcional, ele também tem o lado emocional. Ele é confiante, exige-se ao máximo e responde aos próprios estímulos. Por isso ganhou. E pôde chorar.

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