Muitos afirmam que a política brasileira nunca viveu um período de tanto descrédito como agora – e olha que já tivemos a era Collor, os anões do orçamento e a disputa entre Jáder Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Os desmandos de vários governadores e prefeitos, a crise moral no parlamento e a falta de pulso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em conter o ímpeto de alguns de seus aliados levaram boa parte da população a desistir dos políticos. Melhor, de quase todos.

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Alguns ainda se salvam, por manterem o nível da política e por resistirem ao “canto da sereia” da luta desenfreada pelo poder. Entre estes, está a ex-senadora, ex-candidata à presidência da República e hoje vereadora de Maceió Heloísa Helena (PSOL). Ela deixou o PT por se desencantar com os rumos do governo Lula, e tornou-se uma das queridinhas da mídia e do público, apesar de suas posições sempre radicais (ou talvez por isso).

Mas ela, nos últimos tempos, acreditou muito no papel de paladina da justiça e, aos poucos, começou a entrar na vala comum da política. Se não pela falta de ética, pela falta de modos. Foi o que contou o despacho da Agência Estado, destaque da edição de ontem de O Estado: “A vereadora Heloísa Helena vai responder a um processo por quebra de decoro parlamentar e pode até perder o mandato caso seja considerada culpada. Ela é acusada de ter agredido verbalmente a também vereadora de Maceió Tereza Nelma (PSB). (…) Durante a troca de insultos, Heloísa chamou a colega de porca trapaceira e ladra de próteses de criancinhas deficientes”.

No afã de fazer mais pela população, Heloísa Helena exagera. Talvez o seu grande defeito seja não ter a calma suficiente na hora de fazer juízo de valor. O fato de um político pertencer a outro partido transforma a pessoa na encarnação do mal. Talvez ela saiba que as coisas não são assim.

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Ela parece um pouco com o Lula bruto, aquele presidente de sindicato em São Bernardo do Campo. Para ser aceito pelo brasileiro médio, ele teve que mudar. Heloísa também terá que mudar. Mas esperando que ela continue sendo um exemplo de lisura na política brasileira.