O medo vai virar pânico

Certa vez, um jornal publicou uma manchete incrível: “Há medo de pânico no morro”. Não se sabe ao certo o que aconteceu de tão terrível no morro citado, mas hoje, se quisermos falar de economia, é possível dizer que “há medo de pânico no empresariado”.

A matéria do repórter Hélio Miguel, na edição de quinta-feira de O Estado, mostra o humor dos empresários do setor industrial do Paraná: “Uma péssima avaliação das condições econômicas atuais levou o Índice de Confiança do Empresário Industrial do Paraná (Icei-PR) do último trimestre de 2008 ao nível mais baixo desde que a pesquisa foi iniciada, em 2004. O indicador, que é medido em pontos em uma escala de 0 a 100, chegou a
44,9 – 5,5 pontos menor que nos três meses anteriores e 15,9 abaixo do registrado no mesmo período, em 2007″.

Os números têm uma interpretação – os empresários estão apavorados com a possibilidade de recessão. Os sinais da economia real, aquela que todos nós vivemos, apontam para uma forte retração nos próximos meses, com uma possível (é bom repetir: possível) retomada no segundo semestre. Os preços estão começando a cair, e mesmo assim a procura é menor que a demanda. As vendas no comércio em fevereiro certamente serão brutalmente menores que em janeiro, mês de tradicionais promoções e de espasmos de êxito. Tudo isso, cedo ou tarde, vai ser sentido no setor industrial.

A declaração do coordenador do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt, é bastante interessante. “A confiança se deteriorou bastante. No início de 2008, estávamos em um ‘berço esplêndido'”, afirmou. Hoje, estamos como se tivéssemos caído do berço e, ao tentar levantar, perceber que estamos à beira do precipício.

Mas, se há desespero, “medo de pânico”, é possível ver as soluções se apresentando no horizonte. Muitas delas passam por decisões firmes dos governos, que terão que sustentar alguns setores – e o Executivo exigirá contrapartidas de manutenção de empregos. Outros são de direta responsabilidade dos empresários, que certamente sairão fortalecidos desta crise.

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