O horror da morte

Todos os jornais deram destaque ontem à pesquisa divulgada por governo federal, Unicef e uma ONG ligada a comunidades carentes. Ela indica que, a se manterem os números, mais de 30 mil jovens entre 12 e 18 anos serão assassinados até 2012. A notícia chocou o País, e ainda mais os paranaenses, que viram Foz do Iguaçu, nossa joia do turismo, ser apontada como a cidade com o maior índice de homicídios entre adolescentes. Como apontou a matéria de ontem de O Estado: “O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) de Foz de Iguaçu é de 9,7 mortes, três vezes e meio superior à média nacional, de 2,03. O cálculo levou em conta mortes ocorridas em grupo de mil jovens”.

Pouco importam as declarações oficiais, os desmentidos e confirmações. No âmbito nacional, interessa é saber o que está acontecendo, o que faz tantos jovens perderem a vida tão cedo, e de forma tão terrível. A adolescência cada vez mais está ligada a agentes perniciosos, como o vício em bebidas, cigarros e drogas ilícitas. Nesta espiral, não há vencedores, só há vencidos. E os primeiros alvos são justamente os mais novos, que se tornam meio e fim da cadeia criminal – meio porque se tornam “emissários” de traficantes e marginais para conseguirem manter o próprio vício.

Não há muito a ser planejado. As autoridades sabem o que é necessário fazer, mas não é simples debelar com o tráfico – e seria até exagerado imaginar que tudo acabaria em um passe de mágica. Mas já passou da hora de agir, é hora de mobilizar a sociedade e enfrentar cara a cara o crime que leva nossos filhos impunemente.

Cabe a nós e a nossas autoridades este trabalho. Não será fácil vencer a batalha, pois muitos interesses estão envolvidos, e há gente inocente no meio desta história, reféns de uma sociedade paralela que domina comunidades carentes em todo o Brasil.

No Paraná, a esperança é que os órgãos de segurança, tão pouco preocupados com a população, recebam uma lufada de realidade com os dados e comecem a trabalhar em prol de nossa gente, que tanto precisa. Nossos jovens estão pedindo socorro.

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