Geraldo Serathiuk

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?O monge disse ao executivo que devemos elogiar o trabalho do outro para sermos líder.?

Tenho andado pelo Paraná e visto que muitos representantes de outros entes federativos tomam para si os méritos do crescimento econômico, do emprego, de obras e programas sociais, reservando ao governo federal críticas. Em razão disso é importante deixar claro alguns aspectos da atuação do governo federal no Paraná. Começando por analisar o cenário passado.

O Brasil herdado foi aquele, que todos nós sabemos, com dívida externa e interna astronômica, onde poucos vivem a custas de juros. Brasil da máquina pública em expansão, por exemplo, com mais 1.200 municípios criados desde a Constituição Federal de 1988, com déficit público e, por conseqüência, alta carga tributária. Brasil com déficit previdenciário e com o famigerado direito adquirido previdenciário, fazendo que poucos ganhem muito e muitos ganhem pouco. Brasil com modelo econômico agroexportador de produtos primários que agregavam pouco valor a sua economia. Brasil com altas tarifas públicas, fruto de um modelo de privatização que sangra o setor produtivo e a sociedade, com base em contratos legais, porém injustos. Enfim, um Brasil para poucos.

O Paraná herdado foi aquele do governo anterior, que em oito anos gerou apenas 37 mil novos postos de trabalho no Paraná. Por conseqüência provocou altos índices de desemprego, acidentes de trabalho, migração para as cidades, devastação ambiental, baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e aumento da criminalidade. Tudo fruto da concentração do crédito e de renúncia fiscal para setores concentradores da riqueza e da terra, que geravam pouco emprego e não distribuíam a renda.

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Herança que todos recebemos. Porém, se durante este governo se gerou mais de 280 mil novos postos de trabalho no Paraná, é importante colocar algumas verdades, pois quando formos esmiuçar as razões do crescimento econômico e do emprego, vamos encontrar ações do governo federal que tanto contribuíram para iniciar a mudança do modelo de desenvolvimento econômico, que tinha como lema o Brasil para poucos e o Paraná para poucos, mas que agora trabalhamos para que seja Brasil para todos e o Paraná para todos.

Dessa forma, vamos entender que se a construção civil voltou a gerar emprego no Paraná desde 2003, foi devido ao fruto das ações dos recursos provenientes dos fundos de poupança dos trabalhadores, que permitiu dar mais crédito para habitação popular e linhas de financiamento para toda a população, por meio dos bancos públicos federais. A geração de mais empregos no comércio é fruto, também, do aumento dos salários decorrente do crescimento econômico, do incentivo a poupança de longo prazo, do aumento das cooperativas de crédito e do crédito para toda a sociedade, do aumento e ampliação dos programas sociais (Bolsa Escola, Bolsa Família, benefícios do INSS, Luz para todos, seguro-desemprego, abono salarial, entre outros) e das políticas fiscais, que injetaram mais recursos na economia local e foram implementadas pelo governo federal. A geração de mais empregos na administração pública é fruto, também, do aumento dos percentuais dos repasses das verbas de transferência e da ampliação dos programas nas áreas de educação, saúde e esporte, como os programas feitos pelo governo federal. A geração de mais empregos na agricultura é fruto, também, do aumento do crédito agrícola para o pequeno agricultor e para as cooperativas, feitas pelo governo federal. Do mesmo modo, se aumentou o emprego na indústria de transformação, também é fruto das políticas de crédito e fiscais de incremento às exportações e de inovação tecnológica feitas pelo governo federal.

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Por isso, se no Paraná foi implantado um modelo de desenvolvimento que oferece crédito e renúncia fiscal a setores concentradores de terra e da riqueza, priorizando a exportação de produtos primários, que deixou o Estado e os municípios com pouca capacidade de investimento. O que faz o Paraná ter um orçamento no próximo ano de 14 bilhões de reais, sendo que quase 2 bilhões para pagar dívidas, amortizações da dívida e encargos da dívida, sobrando apenas 1,2 bilhão para investimentos. Modelo de desenvolvimento econômico que ainda não mudamos totalmente, pois modelo econômico não se muda por decreto, modelo econômico se muda de forma democrática, com a participação de trabalhadores e empresários. Assim se ainda continuamos sendo um Estado dependente do modelo agroexportador e do crescimento internacional, com concentração da terra e da riqueza, temos que trabalhar muito para mudar esta realidade.

Por isso, é importante dizer que se somarmos todos os recursos injetados pelo governo federal na economia do Paraná, no custeio de recursos humanos e investimentos da máquina federal, em investimentos em obras, linhas de crédito e programas sociais, teremos a certeza de que o governo federal aumentou e aplica, na economia do Paraná, muitos recursos que outros entes federativos procuram esconder. O que é incorreto. Pois sabemos que as boas políticas são complementares, se somam e devem ser elogiadas, como, por exemplo, as boas políticas do governo estadual em investimentos em estradas, que desoneram a produção e a sociedade, pois fazem os paranaenses desviarem de duas a três praças de pedágio – como muito da sabedoria popular do cidadão do interior, que me ensina a desviar quando estou viajando – como também, as boas políticas das tarifas da água e da luz, as boas políticas sociais – como a do leite, políticas de crédito – como o fundo de aval – e as políticas fiscais que desoneram o setor produtivo. Não é por acaso que o reconhecimento do trabalho e o elogio ao trabalho do outro é um dos princípios da história sobre a essência da liderança do livro O Monge e o Executivo, de James C. Hunter.

Geraldo Serathiuk é delegado regional do Trabalho do Paraná.