O gás e o transporte coletivo

Entre os assuntos mais discutidos pelas administrações municipais nos últimos anos, sendo inclusive o tema principal de um encontro nacional de prefeitos ocorrido em Curitiba na segunda quinzena de março, está o transporte coletivo e o impacto provocado pela tarifa no orçamento do trabalhador.

Sabemos que um dos principais responsáveis pelos constantes reajustes, segundo as planilhas apresentadas pelas empresas de ônibus, é custo com o óleo diesel, cujo índice de reajuste geralmente é repassado aos usuários.

Como alternativa a esse problema, a Assembléia Legislativa do Paraná aprovou, no final de 2004, o projeto de lei de minha autoria, que prevê a substituição integral nos próximos anos da frota de ônibus atual por outra movida a gás natural veicular (GNV).

Diversos estudos apontam que a utilização do GNV provoca imediatamente um impacto direto na tarifa, com uma redução aproximada de 30% em seu valor, haja vista que o óleo diesel equivale a 23% do valor cobrado pelas empresas junto à população (peças e acessórios, 13%, e lubrificantes e rodagem, 4%).

Um grande passo nessa direção foi dado na segunda quinzena de março pelos ministérios das Cidades e de Minas e Energia, que assinaram um convênio com a Petrobras que incentiva o uso do GNV na frota urbana do País e que deve incluir o transporte de cargas nos próximos anos.

Hoje, cerca de 33% da frota de ônibus do Brasil está localizada em cidades que já possuem postos de distribuição de gás e, portanto, podem perfeitamente se integrar ao projeto, além de permitir que localidades com até 200 quilômetros de distância dos centros de distribuição possam ter o acesso ao combustível através de planos especiais de incentivo.

Essas experiências começaram a ser feitas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e agora, têm condições, amparadas legalmente, de ser feitas em Curitiba, que tem servido de exemplo, através dos anos, como uma capital voltada para a vanguarda em seus mais diversos setores.

As nossas linhas integradas de transportes, compostas por uma frota de 2.160 ônibus e responsáveis pelo transporte na capital e Região Metropolitana, podem servir com um bom laboratório para o restante do Estado, principalmente nas regiões das cidades pólo como Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá e Cascavel.

Mas esta alternativa não pára no aspecto econômico, que beneficiaria diretamente, somente em Curitiba, um milhão de usuários pagantes nos dias úteis.

A utilização do GNV também vai ao encontro da consciência ambiental, pois tem uma combustão limpa e dispensa qualquer tratamento dos produtos lançados na atmosfera, reduzindo a emissão de poluentes no ar e retomando, ao mesmo tempo, os baixos níveis de poluição que atingíamos há décadas, mas que agora, infelizmente, estão fora de controle.

O uso do GNV será inovador sob esses aspectos e se há o amparo legal e os estudos que indicam sua viabilidade, devemos dar o primeiro passo e colocá-lo em prática.

Marcos Valente Isfer é deputado estadual (PPS-PR). 

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google