A mídia instantânea e planetária teve seu primeiro ídolo morto. Michael Jackson, que faleceu na quinta-feira, aos 50 anos, é o primeiro mito mundial que desaparece nesta nova era da informação. A confirmação de sua morte, ao contrário do que acontece normalmente, foi dada pela mídia, e não pelos canais competentes – hospitais e a versão norte-americana do instituto médico-legal. Chegou-se ao incrível momento em que vários sites divulgavam a morte do artista, enquanto outros garantiam que não.
Passada a trágica participação da imprensa internacional, fica o artista. Perdemos o maior astro pop que conhecemos. Nem mesmo Frank Sinatra, ou Elvis Presley, os Beatles ou os Rolling Stones, ninguém foi maior. Podemos comparar qualidade, estilo e gosto, mas não há quem não reconheça a importância de Michael Jackson na cultura mundial nos últimos (pelo menos) 35 anos.
Michael é como o computador, a televisão, a internet – ele fez uma revolução nos costumes e integrou, definitivamente, o negro na sociedade norte-americana e mundial. Pode parecer maluco, mas não haveria o fim do apartheid na África do Sul sem ele. E talvez não tivéssemos Barack Obama, um negro presidente dos Estados Unidos, se Michael Jackson não tivesse quebrado barreiras.
E ele conseguiu isso com sua capacidade artística. Como lembrou o jornalista Cristian Toledo, na edição de 24 de fevereiro de 2008 de O Estado, falando sobre o álbum Thriller, o mais vendido em todos os tempos: “Fruto de uma união perfeita entre produtor, cantor (e, no caso, também compositor) e músicos, Thriller abalou todas as estruturas da música pop. Foi a glória porque nunca um artista atingiu tamanho grau de excelência em um álbum de música pop”.
Triste é ver que toda esta excelência artística ficou em segundo plano há muito tempo, quando Michael deixou que as excentricidades tomassem sua vida, e entrou em uma roda-viva de excessos que, possivelmente, culminou no desfecho de quinta-feira.
Passado o artista, fica o homem. E fica a lenda de um menino de Indiana, que transformou o mundo dando passos para trás.