Quem lembra do ativo e provocador secretário do Planejamento do governo Franco Montoro (entre 1983 e 1987) não reconheceria o cauteloso governador de São Paulo. Não dá para comparar, também, o ministro da Saúde e do Planejamento do presidente Fernando Henrique Cardoso, que arrumou encrencas com vários colegas, com o arguto governador paulista, que saiu de uma saia-justa com o colega Geraldo Alckmin com destreza e sabedoria.

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Pois é. O José Serra que esteve segunda-feira em Curitiba, conversando com o prefeito Beto Richa (PSDB) e com o governador Roberto Requião (PMDB), é um costureiro dos bastidores. Candidatíssimo à presidência da República na eleição do ano que vem, e atual líder nas pesquisas de intenção de voto, Serra sabe que não pode criar caso com ninguém, e por isso age com extrema delicadeza nos terrenos mais pantanosos.

Foi o que fez ao conversar com jornalistas. Questionado sobre a sucessão estadual do Paraná, ele desconversou. O texto a seguir é da repórter Joyce Carvalho, na edição de ontem de O Estado: “O governador de São Paulo, José Serra, deixou claro que não vai palpitar no estabelecimento de alianças e escolha de candidatos para as eleições de 2010 no Paraná. ‘Não vou me meter na política do Paraná. Sou amigo do Osmar Dias, que foi meu colega no Senado. Sou muito amigo do Beto. O Alvaro Dias eu conheço há muitos anos. Eu não vou aqui dar palpite sobre isso’, garantiu Serra, que ontem visitou o prefeito de Curitiba, Beto Richa. ‘A gente tem conversado bastante sobre eleições, mas hoje (ontem) particularmente não’, comentou”.

Assim, evitou rusgas dentro de seu partido e permitiu que continuassem as conversações com todos os possíveis aliados, desde os quase certos DEM, PPS até os hoje rivais PDT e PMDB – na conversa amistosa com Requião, também deixou as portas abertas para as negociações, sem no entanto fazer qualquer promessa para o governador do Estado. Serra torce para que seu palanque no Paraná seja forte. Quem estará nele, por enquanto, não lhe interessa.

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