Clifford Sobel

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O primeiro Dia da Terra surgiu de um movimento de base parcialmente inspirado no desejo de abrandar o que muitos acreditavam ser uma crise ambiental nos Estados Unidos. Em 1970, os Estados Unidos experimentavam degradação ambiental resultante da falta de informação e compreensão sobre as causas e os efeitos de determinadas práticas industriais e pessoais. O país estava contaminado por altos níveis de poluição do ar e da água, níveis elevados de chumbo em crianças e derrames de lixo tóxico. O conseqüente primeiro Dia da Terra foi comemorado em 22 de abril de 1970 por cerca de 20 milhões de pessoas na América do Norte e desde então se tornou um evento internacional. Em 1972, a Assembléia Geral das Nações Unidas também reconheceu a necessidade de os países darem mais atenção ao meio ambiente e criou o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho do mesmo ano, para marcar a abertura da Conferência sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo. Embora existam, na verdade, dois Dias da Terra, o desejo de refletir sobre nosso meio ambiente natural e sobre como podemos, cada um de nós, administrar melhor os recursos naturais continua sendo o princípio norteador de cada comemoração.

Quanto aos Estados Unidos, o apoio maciço à melhoria do meio ambiente graças àquele primeiro Dia da Terra foi ouvido pelo governo e logo depois, em julho de 1970, foi criada a Agência de Proteção Ambiental (EPA). Antes da criação da EPA, o governo federal dos EUA não estava estruturado para realizar um ataque coordenado aos poluentes que prejudicam a saúde humana e degradam o meio ambiente. A EPA recebeu a assustadora tarefa de reparar os danos já causados ao meio ambiente natural e de criar novos critérios que levassem os americanos a tornar realidade um meio ambiente mais limpo. Muitos dos primeiros êxitos da EPA, como a Lei do Ar Limpo de 1970 e a Lei da Água Limpa de 1977, foram pioneiros no mundo inteiro.

O avanço inicial obtido depois do primeiro Dia da Terra continua no mesmo ritmo. O governo americano continua a liderar a proteção ambiental em conjunto com parceiros do mundo inteiro. Aqui no Brasil, um importante componente das relações entre o País e os EUA foi a Agenda Comum para o Meio Ambiente. Essa iniciativa levou a maior cooperação entre as agências técnicas dos nossos governos e intensificou as consultas entre nossos países antes de importantes reuniões internacionais sobre meio ambiente. Por exemplo, a Administração Nacional Oceanográfica e Atmosférica dos EUA tornou disponíveis informações do seu satélite Goes, que permitem melhorar a previsão do tempo na região; o Serviço Florestal dos EUA tem longo histórico de colaboração com o Ibama em questões técnicas relacionadas com florestas, e a Agência de Proteção Ambiental americana trabalhou com especialistas brasileiros para encontrar maneiras de reduzir a poluição por mercúrio na bacia amazônica. Essas são apenas algumas das áreas em que agências técnicas americanas e brasileiras trabalham juntas.

Analogamente, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) tem um programa ambiental bastante ativo no Brasil. Embora sempre respeite a soberania do País, a Usaid tem trabalhado com o governo brasileiro e com a sociedade civil na preservação da diversidade biológica, no combate ao desmatamento clandestino e no apoio ao desenvolvimento sustentável do extraordinário patrimônio brasileiro de recursos naturais. Somente no último ano fiscal, a carteira ambiental Usaid/Brasil recebeu quase 6 milhões de dólares, aplicados principalmente em iniciativas de conservação das florestas na Amazônia brasileira, além da mata atlântica, do Pantanal e do cerrado. Os EUA continuam comprometidos em apoiar o desejo brasileiro de promover o desenvolvimento sustentável e a conservação de seu singular patrimônio ambiental.

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No âmbito internacional, colocar a capacidade criativa e financeira americana a serviço de catalogação, controle e solução de problemas ambientais em todo o mundo é uma das nossas maiores prioridades. Quanto a mudanças climáticas, nos últimos seis anos o presidente Bush destinou mais de 29 bilhões de dólares – mais do que qualquer outro país do mundo – para tratar dessa questão. Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a agir por meio do Protocolo de Montreal para eliminar CFCs e outros produtos químicos que destroem a camada de ozônio. Mais recentemente, anunciamos o lançamento de um Plano Estratégico para o Sistema Integrado de Observação da Terra, que servirá de estrutura para a contribuição dos EUA aos Sistemas Mundiais de Observação da Terra (Geoss). Esse plano de 10 anos, envolvendo quase 60 países, desenvolverá um sistema integrado de observação para tomar o pulso da Terra e transmitir as informações necessárias para os formuladores de políticas poderem reduzir o impacto que nós, humanos, causamos em nosso meio ambiente.

Esses programas significativos ocorrem nas esferas nacional e internacional. Peço a todos que imaginem o que poderiam fazer, pensando globalmente e agindo localmente, para ajudar a garantir a vida de gerações futuras em um mundo onde os céus sejam claros; as florestas, intactas, e os rios, limpos. Proteger o meio ambiente é um dever comum a todos nós. Lembrem-se de que o Dia da Terra é o momento de comemorar os ganhos conseguidos e de criar novas visões para acelerar o progresso ambiental. O Dia da Terra, assim como todos os dias, é o momento de agir para proteger nosso planeta.

Clifford Sobel é embaixador dos Estados Unidos da América no Brasil.

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