Agora, são aqueles momentos terríveis, é o cerimonial inevitável. Confirmado que o corpo encontrado no Rio de Janeiro era mesmo o do padre Adelir de Carli, que no dia 20 de abril desapareceu após alçar vôo preso a balões de gás, saindo de Paranaguá, fiéis, amigos e familiares aguardam a chegada do corpo ao Paraná para iniciar o velório – o  primeiro em Paranaguá e depois em Ampére, no sudoeste do Estado – e, em seguida, o enterro.

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Tudo que acontecerá nos próximos dias será o esperado: a comoção geral do povo paranaense, as cenas de sentido desespero ao ver o caixão ser colocado na Paróquia São Cristóvão, o longo cortejo (por carro e avião) até Ampére, o último adeus no enterro do padre Adelir. Cenas que, por mais que sejam naturais em uma situação como esta, serão comoventes para quem as assistir.

Sim, pois com o adeus definitivo ao padre Adelir de Carli vai embora também a esperança de um milagre. Por mais que as pessoas fossem pragmáticas, a fé católica permitia aos amigos do padre que se sonhasse com um retorno dele com vida. Não seria, para eles, nenhuma surpresa, porque contam com os desígnios divinos para acreditar em tal possibilidade.

Até o momento em que a Petrobras anunciou a existência de restos mortais no litoral norte do Rio de Janeiro, havia esta sensação. As pessoas tocavam sua vida, mas diariamente rezavam pela saúde do padre Adelir e, no fundo, acreditavam que ele voltaria tão saudável quanto viajou, com a possibilidade de contar uma epopéia – a salvação de uma pessoa que arriscou a própria vida em nome de uma causa, a dos que trabalham nas estradas.

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Se isto não foi possível, que se repita: padre Adelir de Carli se imolou pelos seus, lutou da forma que achou mais possível para divulgar sua causa e a de outros padres. Desapareceu de maneira triste e só três meses após o início do desastroso vôo pode ter o adeus que merece. Todos sabíamos que iria acontecer. Mas, agora que aconteceu, é um choque difícil de ser assimilado.