O almoço em um dos restaurantes mais tradicionais de Curitiba, reunindo políticos e aliados, foi o meio preferido pelo senador Osmar Dias (PDT) para começar extra-oficialmente sua campanha ao governo do Paraná, na eleição de outubro de 2010. Mais que se lançar, o senador precisava marcar posição, reforçando sua condição de “candidato natural” de uma penca de partidos que o apoiou em 2006 – e que também esteve ao lado do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), reeleito com votação consagradora há quarenta dias.
O surpreendente da história é que é grande a possibilidade desta manifestação de Osmar Dias acelerar um processo de desgaste entre os dois pólos desta frente originalmente criada para evitar o avanço do grupo comandado pelo atual governador do Estado, Roberto Requião (PMDB). Tudo porque está cada vez mais difícil segurar o ímpeto do PSDB – tanto o diretório nacional quanto os aliados de Beto Richa sabem que o nome do prefeito é fortíssimo para a eleição ao governo estadual.
A situação fica inusitada: um bloco coeso, que conseguiu passar incólume por duas eleições, tem dois candidatos com legítimas pretensões. Ambos são bons de voto, são populares, têm força em todo o Estado e estão no auge de suas carreiras políticas. É daquelas coisas que poucas vezes acontecem.
As duas possibilidades (divisão ou união) podem acontecer. Para a divisão entre PDT e PSDB pode ser decisiva a participação do diretório nacional pedetista, que está afinado com o governo federal. A presença na festa de segunda-feira do deputado federal Ricardo Barros (PP), vice-líder do governo Lula à na Câmara, indica que a aproximação é possível.
Para a união, não há muitos segredos. Beto Richa e Osmar Dias, protagonistas da possível cisão, serão – caso queiram – os heróis da unidade, eliminando as arestas entre seus aliados e lançando uma candidatura de consenso, de um ou de outro. E, assim, entrando com chances quase totais de vitória na eleição de 2010, podendo iniciar uma nova dinastia na política paranaense.