Morreu ontem, de insuficiência cardíaca, o banqueiro Olavo Egydio Setúbal. Ele tinha 85 anos, mais de sessenta de vida pública e uma trajetória que se confunde com a economia e a política brasileiras. Setúbal foi estereótipo de uma geração de brilhantes técnicos (ele tinha formação em engenharia) que mudaram a história financeira do País.

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No caso de Setúbal, o ponto de partida foi 1964, quando ele, já um dos diretores do Banco de Crédito Central, foi um dos responsáveis pela compra do então pequeno Banco Itaú. Dali em diante, com sua visão progressista e uma predominante ousadia, Olavo Setúbal passou a ser um dos “players” (usando um termo de hoje) mais importantes da economia brasileira.

Em pouco tempo, o Itaú tornou-se a segunda instituição financeira privada do Brasil, posto que ocupa até hoje. Não contente com o crescimento do banco, Setúbal liderou a modernização do sistema bancário, criando o primeiro caixa automático e rejuvenescendo a marca, convocando jovens publicitários (como Washington Olivetto) para criar as propagandas do grupo.

Com a fama de grande administrador consolidada, e ótima relação com os políticos, Setúbal foi convidado em 1974 pelo governador “eleito” de São Paulo, Paulo Egydio Martins, para ser o prefeito da capital paulista. Assumiu em 1975 e entregou o posto a Reynaldo de Barros em 1979. Com ele, São Paulo cresceu e teve a consolidação do metrô.

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Apesar de ter convivido bem com os militares e ter sido prefeito na época do regime militar, Setúbal foi importantíssimo na redemocratização. Participou das negociações para evitar reações da “linha dura”, deu suporte a Tancredo Neves e, por conta disso, foi convidado para ser ministro das Relações Exteriores. Ficou dois anos como chanceler e depois abandonou a vida pública.

O legado de Olavo Setúbal está diante dos nossos olhos. Primeiro, na pujança do Banco Itaú, um dos maiores do País. Depois, nas soluções urbanísticas que apresentou em São Paulo. E, principalmente, nos seus atos de ousadia gerindo uma das principais instituições financeiras do Brasil.

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