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Apesar do esforço dos candidatos com percentuais irrisórios na intenção de votos aferida pelas pesquisas, ao semear dúvidas sobre a correção dos institutos responsáveis pelos inquéritos, mediante o bizarro argumento de que os pesquisadores não vão aos bairros mais afastados (onde eles gostariam que fossem) e, por isso, não reúnem todos os dados necessários para a apresentação de produto final confiável, os números divulgados até agora, sobretudo os da última pesquisa do instituto Datafolha confirmam com uma insistência incômoda para os demais postulantes, a folgada vantagem do prefeito Beto Richa (PSDB), que concorre à reeleição.

Como é de conhecimento geral, na pesquisa feita entre os dias 4 e 5 desse mês para a Rede Paranaense do Comunicação (RPC), o Datafolha mostra Beto Richa 71%, Gleisi Hoffmann (PT) com 15%, Fábio Camargo (PTB) com 2% e os restantes com percentuais tão inexpressivos que sequer conseguem ser expressados numericamente. Pesquisas divulgadas por outras instituições apresentam números coincidentes, fortalecendo a impressão de que a decisão do eleitorado está cristalizada, tornando cada vez mais remota qualquer mudança radical de pensamento por parte dos eleitores. Ademais, seria esdrúxulo supor que institutos acreditados no mercado brasileiro, notabilizados pela margem de acerto de suas pesquisas, agiriam de forma tão irresponsável pondo em risco a qualidade de seus serviços.

Outro dado inquietante para a coordenação das campanhas dos opositores do atual prefeito é que o tempo restante para a mudança do quadro é escasso, exatos 25 dias, ao longo do qual, o candidato majoritário teria de sofrer um contundente processo de erosão de seu estoque estratificado de votos, sem esboçar a menor reação. Por esse motivo, a avaliação de experimentados observadores da política curitibana balança para a liquidação da fatura já no dia 5 de outubro, dispensando olimpicamente a necessidade do segundo turno.

Um dos trunfos imaginados pela coligação petista é trazer a Curitiba, além de inúmeros ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sabidamente a maior força política remanescente no Partido dos Trabalhadores, numa evidência sobejamente corroborada pelas pesquisas de opinião pública, que aí estão acima de qualquer suspeita. Lula decidiu não comparecer aos palanques de candidatos do PT em cidades onde a disputa tivesse também candidatos de outros partidos da base. É o caso de Curitiba, onde PMDB e PTB concorrem com candidatos próprios. Pormenor ilustrativo das desavenças políticas localizadas, como ocorre largamente em outros pontos do País é que PDT e PSB, também integrantes do lulo-governo, escudados em razões intestinas acharam melhor reforçar a coligação de Beto.

É possível que o presidente aceite vir a Curitiba, tendo em vista o naufrágio dos candidatos dos partidos da aliança, Fabio Camargo (PTB) e Carlos Augusto Moreira Júnior (PMDB). Em alguns meios já se especula a idéia de hipotética confluência dos candidatos de oposição à campanha de Gleisi, embora ninguém arrisque uma proposta concreta para viabilizar o plano. Seguindo no terreno do imaginário, com a adesão dos demais candidatos, a vinda de Lula poderia se constituir num fator decisivo para o possível crescimento do potencial petista, considerando o inegável prestígio que decerto seria explorado em bairros de intensa concentração popular, propiciando a repetição do afiado discurso estribado na riqueza petrolífera do pré-sal, na revolução delineada para a educação e, no ansiado resgate da pobreza, novas bandeiras eleitorais de Lula, como ficou provado na mensagem alusiva ao dia da Independência transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão.

A esta altura, entretanto, somente um abalo de grandes proporções seria capaz de empanar o desempenho de Beto, aliás, fundado na propositiva gestão realizada na cidade e, acima de tudo, no trato afável que é sua marca registrada no contato pessoal com o eleitor.

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