O texto é das repórteres Joyce Carvalho e Elizabete Castro, na edição de ontem de O Estado: “Um levantamento parcial apresentado ontem (anteontem), 12, pelo presidente da Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa, deputado Artagão Júnior (PMDB), mostra que cerca de oitocentas obras públicas constam como interrompidas, atrasadas no cronograma de realização pactuado com o Estado ou ainda com falhas de execução”.
A palavra mais aterradora do texto é “parcial”. Quer dizer que podemos ter mais de oitocentas obras públicas paradas, prejudicando brutalmente a população. Não é possível imaginar o impacto de uma obra parada, imagine oitocentas.
E como o governo do Estado do Paraná, que se coloca como um defensor dos pobres e oprimidos, fica nesta história? Vai dizer que são obras para os ricos, e por isso estão paradas? Ou é por causa dos lucros vultosos das multinacionais? Será que acontecerá um seminário internacional para discutir as obras paradas do governo estadual?
Não, isto não acontecerá. O que acontece é que as construtoras de obras públicas (as empreiteiras) estão gradativamente se afastando do Executivo paranaense. Tanto que, há pelo menos dois meses, o próprio mandatário do Palácio das Araucárias faz um apelo, via TV Educativa, pedindo que as empreiteiras apóiem o Estado e participem das licitações.
E por que elas não participam? Não é por falta de pagamento -na quarta, o secretário de Estado de Obras Públicas, Júlio César de Araújo Filho, confirmou que está tudo em dia. O problema não é dinheiro, e sim a falta de confiança. A iniciativa privada está louca para fazer parcerias com os governos estaduais e federal. Só que espera a contrapartida: uma política austera e serena, com boa gestão do dinheiro público.
Falta ao governo do Paraná fazer política com serenidade. Apesar dos esforços de muitos funcionários, que tentam o melhor para o Estado, o comando é volátil, não permite segurança para investimentos de longo prazo. Daí faltam empreiteiras, daí obras ficam paradas, daí o Paraná sofre com a inoperância de seu Executivo.