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Um dos deputados mais votados do Estado, Reinhold Stephanes Junior, do PMDB, toma atitudes corajosas. Foi um dos primeiros a perceber que a candidatura de Carlos Moreira à prefeitura de Curitiba faria água (parte pela falta de carisma do candidato, parte pela imposição esdrúxula do governador do Estado). Foi correto, apoiou o prefeito Beto Richa – que se reelegeu – e não sofreu qualquer punição do partido, talvez porque ele seja mais importante para o PMDB que o PMDB para ele.

Agora, ele ataca (com razão) uma das máximas mais desgastadas do mandatário do Palácio das Araucárias: “o velho MDB de guerra”. Conta a repórter Elizabete Castro, em matéria de O Estado de sexta-feira: “Em discurso na tribuna da Assembléia Legislativa, na sessão de ontem, Stephanes Junior disse que o ‘PMDB velho de guerra’ deveria ser enterrado e substituído por um novo partido. Se ainda não morreu, nós vamos enterrá-lo’, disparou”.

Mais tarde, o deputado preferiu minimizar o impacto da frase, mas manteve o foco – o PMDB precisa rever seus conceitos e seus métodos “democráticos”, saindo da mão de alguns comissionados do governo estadual. Em resumo, repetiu de forma elegante o tirambaço que desferiu na Assembléia.

Como maior partido do País, o PMDB tem grandes responsabilidades. Uma delas é ser a referência democrática da política brasileira. Para isso, precisaria ter práticas condizentes em cada estado, em cada cidade. Precisaria demonstrar que está vivendo plenamente a democracia nos seus diretórios municipais e estaduais.

Isto não acontece no Paraná. Aqui, há uma determinação implícita do governador Roberto Requião, que aceita apenas que seus aliados de primeiríssima hora controlem os diretórios. Não são criadas lideranças – as que surgem, como pretensamente era Carlos Moreira, são artificiais e impopulares.

Assim, permanece firme e forte, na visão do governador e de seus áulicos, o “velho MDB de guerra”. O único porém é que a população não está mais embarcando no populismo retrógrado, e está diminuindo o poder peemedebista no Estado.

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