“Não tem jeito. Todo mundo, ao falar no telefone, tem que tomar cuidado porque pode estar sendo monitorado ou por grampo legal ou ilegal.” A frase é do ministro da Justiça, Tarso Genro, e foi dita em um evento organizado pela seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), na tarde de quinta-feira. Segundo o ministro Tarso, as pessoas ou estão sendo alvo de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, ou são “grampeadas” mesmo.

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“Isso tem sido combatido, mas chegam ao País, via contrabando, muitos equipamentos de escuta.” O ministro da Justiça admitiu, como se lê na frase anterior, que o contrabando também é um problema teoricamente insolúvel. Afinal, é assim que chegam equipamentos de escuta ilegal, que são usadas por toda sorte de pessoas interessadas em ouvir declarações perigosas ou nem tanto de outrem.

São situações que podem ser prosaicas, como a da esposa (ou do marido) que contrata os tais “detetives particulares” para descobrir aventuras extraconjugais do parceiro (ou parceira). Mas podem ser casos escabrosos, como de espiões corporativos que tentam descobrir segredos industriais para vender ao “mercado”, ou mesmo trabalhando a mando de empresas concorrentes. Sem contar aqueles que espionam irregularmente servidores públicos, pensando em possíveis chantagens.

Tudo isto parece muito distante da realidade da maioria dos brasileiros. Mas não é. Somos cada vez mais vigiados, por todos os lados, de todas as formas. Nossas contas em bancos são visíveis a muitos, temos câmeras a monitorarmos nas ruas, nos prédios e nos condomínios fechados (como se vivêssemos em um reality show), e temos os “grampos”, autorizados ou não, nos nossos telefones.

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O incrível disto tudo é que, ao invés de tentar com todas as forças desbaratar as gangues das escutas telefônicas irregulares, o ministro da Justiça diz que todos temos que cuidar com os “grampos”. E se a mais importante autoridade da segurança pública brasileira fala isto, realmente não tem jeito. Ninguém está protegido.