Na sua campanha de 2002, quando foi eleito pela segunda vez governador do Paraná, Roberto Requião afirmava no horário eleitoral gratuito: “O pedágio ou baixa ou acaba”. A mais que razoável proposta, talvez feita de forma exagerada, ajudou muito na vitória sobre Alvaro Dias. Seis anos se passaram da promessa, e nada.
Na sua campanha de 2006, quando foi eleito pela terceira vez governador do Paraná, o mandatário do Palácio das Araucárias afirmava no horário eleitoral gratuito: “Para fugir do pedágio, vamos construir as Estradas da Liberdade”. Proposta também razoável, e desta vez feita com mais estilo, e que também ajudou na vitória sobre Osmar Dias. Dois anos se passaram da promessa, e nada.
Na semana passada, as concessionárias das rodovias paranaenses protocolaram junto ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) o cálculo para o reajuste nas tarifas, que entraria em vigor a partir de 1.º de dezembro. Como contou o repórter Roger Pereira na edição de domingo de O Estado, é um teatro: as concessionárias pedem, o DER não autoriza e o caso vai parar na Justiça – e, nos últimos anos, o aumento foi autorizado.
A situação é complexa. Os contratos feitos com as empresas estão aí, e têm que ser cumpridos. Se foi em outro governo, paciência – não é uma pessoa que fechou contrato, e sim o Estado do Paraná. O que já deveria ter sido feito é um contato oficial com as concessionárias para rever alguns pontos. Isto se faz com diplomacia, e não com gritaria.
E aí reside o problema. As atitudes destemperadas do governador do Paraná (e de seus áulicos, diga-se de passagem) dificultam qualquer negociação que possa ser entabulada. É possível que assessores do governo tenham intenções boas, de tentar conversar com as concessionárias e buscar algum acordo. Mas tudo pára nos principais gabinetes do Palácio das Araucárias.
Quem perde é o paranaense, que não vê solução no caso e continua pagando o pedágio. Mas pior que pagar é constatar que ainda somos vítimas das promessas vazias, que só aparecem nas eleições.