Negocia

Em um mundo que apela pelas chamadas “commodities”, os países que produzem estão cada vez mais fortes mas ainda sem o dinheiro, que poderia representar mais poder e maior poder de barganha. Quem tem o dinheiro, em contrapartida, não quer deixar que os “produtores” levem vantagem em negociações.

Se fosse possível resumir algo tão importante como a Rodada Doha, o encontro de líderes mundiais para facilitar as regras comerciais seria como está ali em cima. As negociações patrocinadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) são, no fim das contas, quedas-de-braço entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

E é por isto que quase nada sai das rodadas de negociação. Há três anos venceu o prazo para que fossem criadas normas mais flexíveis, que permitissem o incremento nas negociações entre os países. Mas as tratativas diplomáticas esbarram nos interesses particulares de cada nação, que defendem subsídios agrícolas e benefícios para seus próprios produtos.

Estranho isto, pois em uma negociação comercial o que se faz para que a coisa ande é ceder terreno. Ao vender um carro, o vendedor cede opcionais, diminui a margem de lucro ou facilita o crédito para o cliente, que também aceita determinada taxa de juros para levar o automóvel que sonhava. Ninguém sai ganhando ou perdendo na totalidade. Sempre foi assim, e será desta maneira também em negociações globais, envolvendo países e muito dinheiro.

Somente quando os representantes comerciais e diplomáticos lembrarem que seus países não vivem solitários no planeta nós veremos avanços significativos na Rodada Doha. Por enquanto, só os paliativos, como uma decantada mas discreta redução dos incentivos agrícolas dos Estados Unidos.

E que a diplomacia seja usada com vigor nestas conversas. Nas últimas reuniões, o chanceler brasileiro Celso Amorim se enrolou com as palavras, e nem parecia ser um ministro das Relações Exteriores. Negociações intermináveis não justificam atitudes e declarações desastradas.

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