Tudo bem, vivemos no Brasil. E o Brasil é o país do futebol. Mas domingo tivemos apenas mais uma partida da seleção brasileira, contra a Venezuela, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 (que será realizada na África do Sul). Jogamos razoavelmente bem, vencemos e continuamos em posição segura na classificação. Mas nosso adversário passou dos limites.

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Não se sabe da paixão do venezuelano por futebol. O que sempre se conta é que o esporte é o quarto ou quinto na preferência da população (sem contar os concursos de miss). Mas a cidade de San Cristóbal, onde aconteceu a partida de domingo, é a que mais gosta do futebol, e por conta disso viveu uma tarde de nacionalismo e barbárie.

Nacionalismo exagerado, por sinal, pois há muito não se viu um público tão desatinado por seu país como na Venezuela no domingo. Bandeiras, camisas, faixas e palavras de ordem eram gritadas pela torcida, como se ali fosse acontecer uma batalha (e, mesmo para os brasileiros, era apenas um jogo de futebol).

E a barbárie veio na esteira do nacionalismo exacerbado. Primeiro, com um grupo de no máximo dez brasileiros que estavam esperando o jogo no estádio Pueblo Nuevo. Eles foram insultados, humilhados e ainda tiveram suas camisas arrancadas pelos torcedores venezuelanos. Logo depois, com os gols de Kaká, Robinho e Adriano, a ira recalcada fez os donos da casa queimarem – isto mesmo, queimarem – uma bandeira do Brasil. A imagem foi captada pelas câmeras da ESPN Brasil.

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O futebol não pode ser a única razão desta raiva incontida. No cerne da reação está a política canhestra de Hugo Chávez, que apesar dos afagos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva acha que o Brasil é o “imperialista” da América Latina. Para justificar seus atos ditatoriais, Chávez força o nacionalismo, tal como aconteceu por aqui no período do regime militar. Pior para a democracia do continente, pior para o povo da Venezuela – até porque muitos entram na onda do presidente e vêem demônios onde eles não existem. Num campo de futebol, por exemplo.