Dos candidatos do PT a prefeito municipal nas capitais da região Sul – Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre – apenas a deputada Maria do Rosário, candidata na capital do Rio Grande do Sul, conseguiu ter bom desempenho e terminar a campanha do primeiro turno embolada com a candidata inscrita pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, com quem disputa acirradamente a oportunidade de passar ao segundo turno com o candidato à reeleição, o atual prefeito José Fogaça (PMDB).
Nas duas outras capitais, Curitiba e Florianópolis, os candidatos petistas não conseguiram empolgar o eleitorado, mesmo tendo usado e abusado nos programas do horário eleitoral gratuito de mensagens gravadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo com a popularidade se elevando ao infinito, Lula não transferiu votos para os candidatos do partido nas capitais. Gleisi Hoffmann se manteve durante todo o período de campanha no patamar inconfortável dos 15% das intenções de voto e, diante da superioridade cristalina do estoque de votos do prefeito Beto Richa (PSDB), tudo leva a crer que a questão estará liquidada no domingo. Na capital catarinense a situação do PT foi ainda mais lastimável, pois o candidato Nildomar Freire chegou ao dia da eleição respaldado por esquálidos 4% das intenções de voto.
Tanto no Paraná quanto no estado vizinho, os candidatos a prefeito pelo PT também não obtiveram a chancela dos eleitores das cidades mais importantes. Rápida averiguação em nosso Estado desenha um quadro desolador para o partido do presidente da República, que foi marginalizado em cidades do porte de Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Paranaguá e muitos outros municípios de porte médio. O balanço é assaz preocupante e negativo para uma agremiação que há anos alimenta o sonho de conquistar o governo estadual. Na perspectiva aberta com o fracasso nas eleições municipais, dificilmente o PT terá condições de fortalecer a estrutura partidária visando à disputa eleitoral de 2010.
A compensação mínima pela virtual frustração petista nas três capitais poderia advir do desempenho do partido nas oito cidades da região passíveis de realização do segundo turno. Nem isso é provável. No Rio Grande, o PT empreende batalha renhida pelas prefeituras de cidades importantes como Pelotas, Caxias do Sul e Canoas onde o partido sempre fez boa figura, inclusive com a eleição de prefeitos em ocasiões recentes. Contudo, os adversários dos demais partidos também fizeram boas campanhas e se encontram em posição de favoritismo na expectativa dos eleitores. Em Santa Catarina, segundo informações filtradas da leitura dos jornais, a probabilidade do PT eleger prefeitos são consideráveis apenas em Blumenau e Chapecó, municípios já governados por petistas. Nas demais cidades importantes para a economia regional não houve registro de sinais mensuráveis do desempenho petista na presente temporada.
Tirando a cidade de São Paulo, onde Marta Suplicy vai passar para o segundo turno, o PT tem cenário parecido em Salvador, onde o petista Walter Pinheiro está empatado tecnicamente com o atual prefeito João Henrique (PMDB). Um deles irá ao segundo turno disputar a prefeitura com o deputado ACM Neto (DEM) e, em qualquer das situações contará com o apoio irrestrito do governador Jacques Wagner. Já em Belo Horizonte, uma das muitas cidades em que o PT contou com a adesão dos tucanos, o candidato Marcio Lacerda (PSB) apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT), depois de início claudicante por absoluto desconhecimento do eleitorado, disparou nas pesquisas. Ele conta com 45% das intenções de voto e pode ganhar já no domingo.
O PT ficou fora das cogitações de eleger o prefeito no Rio de Janeiro. Não há problemas, já que a esquizofrenia da política brasileira transformou os favoritos Eduardo Paes (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) em amigos íntimos de Lula desde a meninice.