Há muito se reclama da superlotação carcerária. Os presídios provisórios estão, literalmente, entupidos, com pessoas em situação constrangedora vivendo ao lado de perigosos criminosos. É uma chama acesa para as rebeliões, é o quase colapso do sistema penitenciário do Paraná. Uma situação que permite o rápido avanço de grupos de alta periculosidade dentro das prisões. Em vez de reeducar criminosos ou proteger a sociedade, a superlotação procria badernas, suscita revoltas e facilita a barbárie.
A situação foi exposta na edição de sábado de O Estado, na matéria da repórter Luciana Cristo: “Ainda não se sabe qual será o destino de 107 presos que estão no 11.º Distrito Policial (Cidade Industrial). (…) A Secretaria da Segurança Pública não explicou por que isso não aconteceu ou o que pretende fazer sobre a superlotação daquela cadeia. (…) Na rebelião do último dia 10, quando havia 176 detentos, foram danificadas celas e paredes”.
O governo do Estado reagiu da forma que sabe, falando alto. Na segunda-feira, o governador do Paraná afirmou medidas para lidar com a superlotação – não só em Curitiba e região metropolitana, mas em todas as regiões. Segundo o mandatário do Palácio das Araucárias, serão construídas 120 celas modulares, com capacidade para doze presos cada (fazendo a conta, 1.440 vagas seriam abertas).
Até aí, tudo certo. Mas qual é a garantia que as celas estarão rapidamente à disposição da Secretaria de Segurança Pública? “Dentro de alguns dias, vou visitar as obras. Rapidamente teremos estas novas celas que vão desafogar o sistema carcerário”, disse o governador.
Em resumo, ficarão prontas porque sua excelência lá estará, verificando as obras. Ele sabe (e todos nós também) que não é assim. Não se resolvem problemas de segurança pública na base da canetada e no discurso agressivo. É preciso, sim, agir com rapidez e com certeza. Ouvir os especialistas no assunto e tomar medidas prontas para acabar com a superlotação. Simples para quem sabe fazer.