A maior economia em escala planetária, a dos Estados Unidos, fechou a primeira semana de março com um total de 650 mil postos de trabalho extintos, elevando a taxa de desemprego a 8,1% da população economicamente ativa, o pior resultado apurado nos últimos 25 anos. O presidente Barack Obama, visivelmente acabrunhado com a situação, reiterou não estar disposto a aceitar “um futuro de desemprego para o país”. Para isso, enfatizou num evento público em Columbus (Ohio), que em breve o plano de estímulo econômico, lançado no mês passado, começará a produzir resultados para tirar os Estados Unidos da crise.

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“Este país jamais respondeu a uma crise, sentado à beira do caminho, esperando a coisa melhorar”, afiançou o presidente, reafirmando que o pacote de incentivo à economia tem poder de fogo para estimular a criação de 3,5 milhões de postos de trabalho. O presidente, além de discurso franco, segundo as analistas, deverá tomar medidas de impacto para que os efeitos restauradores do plano sejam sentidos imediatamente. Os últimos pronunciamentos de Obama têm sido considerados afirmativos do ponto de vista da retórica esperada de um político vitorioso, mas carecem do acompanhamento efetivo de gestos práticos e concretos.

O horizonte está se cobrindo de nuvens ameaçadoras e os golpes se sucedem sobre a já maltratada economia norte-americana. Os números atualizados sobre o drama do desemprego superaram as previsões mais drásticas. Durante o mês de fevereiro, cerca de 651 mil empregados foram demitidos e o índice de dispensas chegou a 8,1% da força de trabalho do país, segundo informações confirmadas pelo próprio governo. Os setores mais afetados pelas demissões foram o da indústria manufatureira (168 mil), construção civil (104 mil) e comércio (39,5 mil).

Analistas do mercado de trabalho haviam estimado o fechamento de 650 mil postos em face da agressividade da crise financeira, mas a realidade está mostrando que os Estados Unidos perderam em média 600 mil postos de trabalho por mês. Desde dezembro de 2007, quando os sinais da recessão se tornaram mais agudos, a economia americana eliminou 4,4 milhões de vagas, rolando no ritmo mais rápido desde 1945. A metade dos postos desapareceu nos quatro meses que se seguiram ao colapso, em setembro passado, do banco de investimentos Lehman Brothers.

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No outro lado do mundo, o clima também é de profunda apreensão. O governo da China, no entanto, admite que apesar dos efeitos de uma crise sem precedentes, a economia do país crescerá 8% em 2009. Enquanto trabalhadores demitidos ou desempregados há mais tempo protestavam na Praça da Paz Celestial, vigiados por policiais, o primeiro-ministro Wen Jiabao declarava na abertura da sessão anual da Assembléia Nacional Popular (ANP), que o governo acionará um pacote avaliado em cerca de 500 bilhões de euros para desencadear uma série de estímulos, dentre eles, gastos públicos, investimentos produtivos e, ainda, a implantação duma rede de benefícios sociais que animem a população a aumentar os níveis de consumo.

A China tem uma população estimada em 1,3 bilhão de habitantes e, apenas por essa constatação se poderá mensurar a amplitude do desafio colocado diante dos dirigentes nacionais, sobretudo, em relação às providências essenciais para assegurar a oferta de empregos urbanos e rurais, um instrumento indispensável para a manutenção da estabilidade social.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI), mesmo diante da visão otimista do governo chinês, adverte que o crescimento do PIB da terceira economia mundial, em 2009, ficará em torno da média de 6,7%. A promessa do governo é aumentar os gastos públicos em 24%, mesmo com a sombria previsão de inflar o déficit desse ano em mais de 110 bilhões de euros, o maior dos últimos 60 anos. As graves lacunas que ainda perduram na concessão de pensões e outros benefícios sociais, como cobertura sanitária básica, assim como o aumento do consumo familiar, são metas prioritárias do governo de Pequim.