Mudando o País

Os resultados da Pesquisa por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE, agora com a cobertura completa do território nacional, comprovam o que intuitivamente percebíamos ao viajar por este País: o Brasil e os brasileiros estão numa situação melhor do que se encontravam em um passado recente. Os dados, referentes ao ano de 2004, demonstram que se reverteu a tendência de queda de renda da população, fato inédito desde 1997. Conseqüentemente, a distribuição de renda do País melhorou, o que pode ser comprovado observando o índice de Gini que caiu de 0,554 em 2003 para 0,547 em 2004 – quanto mais próximo de zero, mais equilibrada a distribuição. Isso é reflexo do crescimento na renda dos 50% mais pobres, que passou dos 14,4% para 15,2% em 2004. Paralelamente, o número de pessoas empregadas aumentou, atingindo o maior nível de ocupação desde 1996, contrariando alguns que teimavam em brigar com os números do Cajed e que faziam verdadeiros malabarismos intelectuais tentando desmentir o que se apresenta como uma verdade inquestionável. Além disso, mudou a qualidade do emprego, que deixa paulatinamente de ser informal. A PNAD aponta que 60% dos empregos criados foram com carteira assinada. Os dados da educação também são animadores: houve um acréscimo de um milhão de novos estudantes entre 2002 e 2004, a taxa de analfabetismo das pessoas acima dos 15 anos caiu de 11,8% em 2002 para 11,2% em 2004 e aumentou o número médio de anos de estudo em todas as faixas de idade. Muita coisa ainda precisa ser feita, mas estamos dando passos firmes, e no caminho certo, para um País mais justo e equilibrado socialmente.

Há outros dados bastante positivos. O número de residências com esgoto sanitário teve um aumento de 3,5% de 2003 para 2004. Nesse mesmo período, ocorreu uma taxa de crescimento de 2,9% nas moradias com iluminação elétrica. A proporção de habitações com geladeira subiu de 82,8% para 88,1%. O número de residências com computador aumentou em 11,2%. Os domicílios com telefone fixo e celulares passaram de 61,7% para 66,1%. Esses dados demonstram que, por trás das estatísticas do aumento das exportações, da melhoria das contas públicas e da elevação do crédito para o setor produtivo, os brasileiros estão se beneficiando concretamente em sua vida cotidiana. O avanço dos investimentos sociais, além de justo e distribuidor de renda, dinamiza a economia, fazendo com que os números positivos subam os morros das favelas do Rio de Janeiro, se espalhem pelas periferias de São Paulo e ganhem as palafitas de Recife. É a vida real dos brasileiros que está sendo beneficiada em cada produto exportado, em cada novo posto de trabalho e em cada real investido de forma responsável e criativa pelo Estado.

Esses dados comprovam que foi construída uma nova equação entre a economia e o social. Essa pesquisa também aponta que a opção pelo Bolsa Família foi acertada. O fato é que estamos vivendo um período diferenciado no País, revertendo tendências e mudando a realidade. O Brasil já está melhor do que no passado e, continuar neste ritmo, estará melhor ainda ao final deste ano. Esses números reforçam a nossa esperança em atingir as Metas do Milênio. O presidente Lula está fazendo exatamente o que prometeu durante a campanha eleitoral. Os compromissos assumidos naquele período – crescimento econômico, geração de empregos e combate à desigualdade – ganham concretude por meio de dados confiáveis e irrefutáveis. Estamos mudando a realidade de milhares de brasileiros e brasileiras, principalmente a dos mais pobres. Com responsabilidade econômica, estamos sendo criativos no social. Com rigor nas contas públicas, estamos diminuindo as desigualdades.

E não é somente o IBGE que está apontando as melhorias das condições sociais no País. A pesquisa Miséria em Queda – Mensuração, Monitoramento e Metas, do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, afirma que a taxa de miséria atingiu seu nível mais baixo desde 1992, ano em que se iniciou a PNAD. O Brasil está mudando, esta é a realidade. Esta é uma vitória do governo Lula e do povo brasileiro.

Luiz Dulci é ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República.

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