Mudança inacreditável

De uma hora para outra, as coisas mudaram completamente. A reviravolta no crime do Morro do Boi, a tragédia que vitimou o jovem Osiris del Corso no dia 31 de janeiro, surpreendeu o Paraná. O que era uma investigação encerrada virou um caso aberto com a prisão de Paulo Delci Unfried, na semana passada. E uma história inacreditável com a confissão de Unfried, que foi tão insólita que nem mesmo a namorada de Osiris, Monik Pegorari de Lima, entendeu – tanto que ela ainda afirmava, no momento em que soube da confissão, que o assassino era Juarez Ferreira Pinto, preso desde o início das investigações e reconhecido pela moça (que foi baleada) como o culpado.

A tragédia de Matinhos ainda precisa ser bastante explicada. Fixemo-nos em duas. A primeira e mais cruel das situações envolve Juarez Ferreira Pinto. Caso ele não seja mesmo o responsável pelo crime do Morro do Boi, como agora tudo leva a crer, quem pagará o tempo que ele ficou preso? E a execração pública, a condenação antecipada feita por agentes de segurança e pela própria imprensa? Como ele reiniciará a vida? Juarez, mesmo considerado inocente, corre o risco de virar um exilado de si mesmo.

E os órgãos de segurança? Como vão explicar uma situação bizarra a este ponto? Pode-se dizer que há outros casos semelhantes em todas as partes, mas isto não justifica. Ao mesmo tempo, também pode ser alegado o depoimento de Monik, que identificou Juarez como o responsável pela morte de Osiris del Corso. Era uma prova quase irrefutável.

Mas alguns investigadores poderiam ter duvidado, pensado no terrível trauma que a jovem teve nos dias seguintes ao crime, e que poderia ter afetado no depoimento. Uma simples manifestação de dúvida, mesmo interna (que seria até mais aceitável), já permitiria que a situação não chegasse neste ponto.

Querendo ou não, as autoridades de segurança do Paraná ficaram com a pecha de não terem conseguido investigar um crime tão rumoroso. O que aumenta as dúvidas e a angústia dos familiares de Osiris, Monik e de tantos outros que esperam por justiça em nosso Estado.

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