Na tarde de terça-feira, o plenário e as galerias da Assembleia Legislativa do Paraná foram tomadas por vigilantes. Não acontecera nenhum problema grave no local – pelo menos para os deputados estaduais, assessores e funcionários. Mas para os profissionais de segurança, sim. Um projeto de autoria do governador Roberto Requião (PMDB) quer colocar policiais militares aposentados para trabalhar como vigilantes em equipamentos públicos.

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Acompanhando o encontro com os deputados, em uma audiência pública, a repórter Cíntia Vegas contou na edição de ontem de O Estado: “O projeto visa à substituição de vigilantes contratados por meio de empresas terceirizadas por policiais militares da reserva para guarda de prédios públicos, escolas, postos de saúde, hospitais, museus, entre outros estabelecimentos. A categoria dos vigilantes estima que, se o projeto for aprovado, cerca de 6,8 mil profissionais vão ficar desempregados”.

Segundo o governo estadual, é uma medida de economia para os cofres públicos e de melhoria dos rendimentos de quem está na reserva. Mas, na tese torta do Executivo, onde vão trabalhar os vigilantes ora contratados? E o preparo de um segurança particular é igual ao de um policial militar? E os reflexos, e a rapidez para agir em casos extremos?

Apesar de legislar em causa própria, o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná e do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba, João Soares, falou algo que é necessário levar em consideração: a formação é diferente. Um policial precisa agir com rigor para reprimir conflitos; um segurança precisa evitá-los. Estes trabalham, quase sempre, sem armas de fogo; os policiais aprendem a lidar com as armas e têm a obrigação de saber usá-la quando preciso. E isto é só o começo.

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Uma medida simples de economia pode causar vários problemas. Por isso, que os deputados – e, por que não, o próprio governo estadual, o principal interessado na matéria, por motivos óbvios – estudem muito bem o caso antes de chegarem a uma decisão definitiva.