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Nos últimos anos, a Cúpula Ibero-Americana se transformou em um veículo de discussões ideológicas e de recorrentes desgastes entre os países considerados “mais desenvolvidos” (Portugal, Espanha, Brasil, Chile) e os “rebeldes” (Cuba, Venezuela, Bolívia) – em parte também por problemas ideológicos, em outra parte por causa de dinheiro mesmo. Só que a cúpula que começou ontem, em San Salvador, só terá um assunto: a crise financeira que assola o planeta.

O vendaval que está sacudindo a economia mundial não tem preconceitos – quem não estiver preparado, seja país rico ou pobre, será alvejado e vai tombar. Por isto a Cúpula Ibero-Americana acontece, desta vez, com o foco desviado. Chegou a hora de todos olharem juntos para o mesmo problema, e tentarem encontrar soluções conjuntas para a crise. Mas será que isto é possível?

Por enquanto, como os reflexos não são tão fortes como nos Estados Unidos e no Japão, os países da Cúpula não devem se acertar. Isto porque os interesses individuais de alguns países devem superar a percepção global da crise. Imagine se Hugo Chávez vai aceitar alguma solução que parta de outro chefe de Estado que não seja ele. E Evo Morales? E Rafael Correa? E Cuba, como reagiria?

Só que há vozes no encontro dos líderes ibero-americanos que já perceberam a gravidade da coisa e tentam unir os países – tal como aconteceu na Europa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso, já deu o tom do Brasil neste momento, em seu papel de protagonista na América do Sul. Pede a ajuda dos países ricos, principalmente com a recuperação do crédito, reclama a presença das nações em desenvolvimento nas decisões econômicas globais, mas reconhece que terá que acontecer um esforço conjunto para sair do atoleiro.

Lula é bastante ouvido pelos seus pares. Até mesmo pelos rebeldes populistas. Quem sabe o presidente da República inicie um lento processo de convencimento, que termine em uma participação mais efetiva dos países em desenvolvimento na resolução da crise financeira.

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