Tudo começou em São Paulo por volta de 1990, um ano depois, um ano antes. Por causa do preço da gasolina e da deficiência nos transportes públicos, surgiram os serviços de entrega via motocicleta. E com eles também surgiram os motoboys, a maioria pessoas que não tiveram uma melhor oportunidade na vida e foram obrigados a trabalhar muito cedo. Sim, os motoboys começaram bem, como trabalhadores úteis.
O povo gostou no começo, ora porque os produtos chegavam com mais rapidez, ora porque era mais barato. Acontece que o governo municipal não se importou nem criou uma legislação ou regulamento específicos. Depois de alguns anos, desempregados sem qualquer formação, talvez porque as motos custam barato e o emprego é imediato, partiram para esse serviço. E a situação foi piorando. Eles se uniram em associações e se misturaram com elementos de má índole. Os motoboys aumentaram. São 180 mil na capital paulista.
Eles são unidos, causam acidentes, brigam e são inimigos mortais dos motoristas. Batem e agridem os coitados. A vida naquela cidade virou um inferno por causa da maioria dos motoboys, que riscam os carros, chutam os pára-lamas e quebram os espelhos retrovisores. Se você dá passagem por um lado, o motoboy que vem no lado oposto xinga e até ameaça com arma de fogo. Os cortes e ziguezagues nas ruas são diabólicos. Morrem três motoboys por dia útil de trabalho. Milhares ficam aleijados a cada ano. No começo de 2006, o Detran paulista criou uma legislação específica para os motoboys. Não resolveu o problema, as brigas são diárias.
O brasileiro já tem tantos problemas! Políticos corruptos, desvios de nossos impostos, sistemas de saúde e educação precários, criminalidade, desemprego, etc. Por que precisamos de mais esse? Em Curitiba o drama segue o roteiro paulista. Aqui já se percebe que os motoboys, na ânsia de faturar mais, pois ganham pouco, correm, fecham e desviam. Obviamente estão despreparados.
Eles não conseguem entender que carros e motos pertencem a mundos diferentes. Não entendem que os motoristas de carros não conseguem perceber aquelas motos ziguezagueando nas ruas e avenidas. É difícil desviar deles. Quando eles não conseguem, são acusados pelos motoqueiros de terem sido fechados. Os motoboys já se acham donos das ruas de Curitiba. Fecham, cruzam, não dão passagem, pilotam como se estivessem dirigindo jipes, achando que seus joelhos são de puro aço.
Ainda dá tempo de solucionar o problema na capital paranaense. É preciso, urgentemente, de uma campanha para educar os motoboys, pedir para eles se comportarem – para o bem deles e dos outros -, que respeitem as sinalizações e evitem as repentinas mudanças de pistas. É fundamental cadastrar todos os motoboys, pedir para que eles usem coletes especiais, buzinas, e, definitivamente, diminuir a velocidade.
Por outro lado é preciso pedir para os motoristas de carro prestarem mais atenção aos motoboys, pois eles vieram para ficar, como o celular e a televisão colorida. Todo mundo quer encomendas urgentes, de documentos a pizza, passando por comida chinesa e flores. Vamos conviver em paz, com respeito. Não precisamos de mais essa desgraça em nossas vidas.
Alex Gutenberg é jornalista.