O Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, de acordo com o presidente Ben Bernanke, resolveu injetar mais US$ 540 bilhões nos fundos de investimentos que fazem aplicações em renda fixa e papéis considerados de baixo risco. A medida visa estender um mecanismo compensatório aos fundos mais ameaçados por meio da compra dos títulos de curto prazo de empresas, certificados de depósitos bancários e outros tipos de investimentos.

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Enquanto isso, no Brasil, mesmo com três leilões de dólar já realizados pelo Banco Central (BC), a moeda norte-americana continua em franca ascensão em relação ao real, com ganhos acumulados de 26% em 2008. Para entender que as ocorrências da alta do dólar constituem fatos típicos do mercado cambial, basta lembrar que elas não se registram apenas no Brasil. A apreciação do dólar passou também a exercer forte pressão sobre moedas resistentes como o euro e a libra, que nos últimos dias atingiu a cotação mais baixa em cinco anos nas operações de troca por moeda norte-americana. Segundo analistas, a queda se deveu a um comentário feito por importante executivo do Banco da Inglaterra, Mervyn King, quanto à probabilidade de o país estar ingressando num período de recessão.

A essa altura, depois de pouco mais de quatro semanas da deflagração da crise financeira derivada da quebra de bancos hipotecários e de investimentos nos Estados Unidos e da contaminação dos mercados europeu e asiático, apesar das bem-intencionadas tentativas de transmitir calma ao mercado interno, as autoridades econômicas brasileiras se convenceram da necessidade de maneirar o tom do discurso, diante da realidade nua e crua das verdadeiras dimensões da crise.

É indiscutível que a conjuntura internacional requer máxima atenção, além de ações cuidadosas para evitar tombos desastrados mais à frente. Trata-se de uma obrigação elementar dos responsáveis pela condução da política econômica do País, que prestariam melhor serviço à coletividade se a tivessem advertido desde o primeiro momento, sobre a inevitável disseminação dos efeitos nos países da economia globalizada. O ministro Guido Mantega, que não perdeu nenhuma oportunidade para se apresentar como pregoeiro da saúde invejável da economia brasileira, foi o primeiro a perceber que o discurso precisava ser reciclado, até para desfazer a impressão de imodéstia, aliás, característica dos representantes das economias emergentes, sempre suscetíveis às volatilidades do mercado.

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A recente opção do ministro por uma fala moderada acaba de ser premiada pela divulgação de análise elaborada pelo banco Dresdner Kleinworth, na qual o Brasil é citado entre os 25 países de menor vulnerabilidade econômica e financeira. Segundo os jornais, o Brasil ocupa os primeiros lugares do ranking, perdendo apenas para a China, Rússia e Indonésia. O relatório chama a atenção do mercado mundial para riscos financeiros e bancários, assinalando que em função da crise os ricos deverão se concentrar no mercado doméstico, preterindo as oportunidades oferecidas pelos emergentes. O resultado óbvio trazido pelo novo enfoque, será a redução drástica do volume de recursos destinados a empréstimos, compra de ações ou mesmo para as operações especulativas em economias mais vulneráveis que deverão pagar um preço amargo à turbulência financeira mundial.

O Brasil não está imune ao choque, mas tem condições de retomar o ritmo do crescimento assim que a poeira baixar.

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