Clemente Ivo Juliatto

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A globalização, entendida como resultante da consolidação de blocos de cooperação intercontinental, estimula o desenvolvimento de políticas de integração científica e cria condições para um entendimento sociocultural internacional. A mobilidade acadêmica e a cooperação entre instituições de ensino superior e centros de pesquisa estão fundamentadas no entendimento de que, para elas, é necessário e, mesmo vital, promover a circulação de competências intelectuais. Esta circulação, de fato e na prática, demonstra possuir alto poder de fertilização da academia.

Particularmente neste momento, diante de novos desafios decorrentes do processo de mundialização, as universidades são beneficiadas pelo incremento da mobilidade estudantil e docente. Ela favorece o processo criativo da produção de conhecimentos, ajuda a repensar e a aprimorar a própria instituição universitária e, mais importante, traz repercussões favoráveis na promoção do desenvolvimento socioeconômico dos países. A mobilidade acadêmica é vista, no âmbito da Comunidade Européia, como importante fator de integração e elevação da qualidade do ensino e da pesquisa, socializando experiências e conduzindo a uma reflexão conjunta de diferentes sistemas educacionais de ensino superior.

Dessa maneira, incentivar a mobilidade acadêmica nada mais é do que resgatar a própria gênese da universidade, na sua mais pura essência. Ela surgiu na Idade Média como uma comunidade universal, ou seja, internacional, de estudantes e professores provindos de vários países. Daí deriva a origem do nome universidade. Será que depois de assistirmos à formação de alianças estratégicas entre empresas, com o surgimento de organizações de amplitude mundial e à formação de megablocos econômicos regionais, vivenciaremos também a transnacionalização das universidades? Estaria fora de cogitação a formação de grandes redes de conhecimento internacionalizado? Isso, provavelmente, não é mera hipótese utópica.

Acredito que um modelo de cooperação internacional precisa repousar sobre três premissas: a) forte compromisso entre os participantes, em que a cooperação seja vista como prioridade estratégica institucional; b) garantia da efetividade do custo/benefício dos programas; c) desenvolvimento de uma chamada ?terceira cultura?, resultante da combinação das culturas institucionais envolvidas no processo. A reunião destes fatores garantiria a relevância dos resultados dos programas de cooperação internacional. A história tem comprovado que estudantes e professores que tiveram a oportunidade de enriquecer seus conhecimentos, sobretudo culturais, com experiências internacionais, possuem outra visão de mundo, e trazem significativas contribuições ao processo de desenvolvimento das comunidades onde se inserem. Investir em intercâmbio acadêmico tem dado bons resultados para todas as partes envolvidas.

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Por isso, os dirigentes de instituições de ensino superior responsáveis pela formação das novas gerações estão conscientes de que os cidadãos devem ser educados para viver numa sociedade globalizada. A interdependência que já começamos a vivenciar clama fortemente pela aproximação entre as instituições e os países e pelo incentivo ao intercâmbio universitário.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.