Mobilidade estudantil fertiliza a universidade

A globalização, entendida como resultante da consolidação de blocos de cooperação intercontinental, estimula o desenvolvimento de políticas de integração científica e cria condições para um entendimento sociocultural internacional. A mobilidade acadêmica e a cooperação entre instituições de ensino superior e centros de pesquisa estão fundamentadas no entendimento de que, para elas, é necessário e, mesmo vital, promover a circulação de competências intelectuais. Esta circulação, de fato e na prática, demonstra possuir alto poder de fertilização da academia.

Particularmente neste momento, diante de novos desafios decorrentes do processo de mundialização, as universidades são beneficiadas pelo incremento da mobilidade estudantil e docente. Ela favorece o processo criativo da produção de conhecimentos, ajuda a repensar e a aprimorar a própria instituição universitária e, mais importante, traz repercussões favoráveis na promoção do desenvolvimento socioeconômico dos países. A mobilidade acadêmica é vista, no âmbito da Comunidade Européia, como importante fator de integração e elevação da qualidade do ensino e da pesquisa, socializando experiências e conduzindo a uma reflexão conjunta de diferentes sistemas educacionais de ensino superior.

Dessa maneira, incentivar a mobilidade acadêmica nada mais é do que resgatar a própria gênese da universidade, na sua mais pura essência. Ela surgiu na Idade Média como uma comunidade universal, ou seja, internacional, de estudantes e professores provindos de vários países. Daí deriva a origem do nome universidade. Será que depois de assistirmos à formação de alianças estratégicas entre empresas, com o surgimento de organizações de amplitude mundial e à formação de megablocos econômicos regionais, vivenciaremos também a transnacionalização das universidades? Estaria fora de cogitação a formação de grandes redes de conhecimento internacionalizado? Isso, provavelmente, não é mera hipótese utópica.

Acredito que um modelo de cooperação internacional precisa repousar sobre três premissas: a) forte compromisso entre os participantes, em que a cooperação seja vista como prioridade estratégica institucional; b) garantia da efetividade do custo/benefício dos programas; c) desenvolvimento de uma chamada ?terceira cultura?, resultante da combinação das culturas institucionais envolvidas no processo. A reunião destes fatores garantiria a relevância dos resultados dos programas de cooperação internacional. A história tem comprovado que estudantes e professores que tiveram a oportunidade de enriquecer seus conhecimentos, sobretudo culturais, com experiências internacionais, possuem outra visão de mundo, e trazem significativas contribuições ao processo de desenvolvimento das comunidades onde se inserem. Investir em intercâmbio acadêmico tem dado bons resultados para todas as partes envolvidas.

Por isso, os dirigentes de instituições de ensino superior responsáveis pela formação das novas gerações estão conscientes de que os cidadãos devem ser educados para viver numa sociedade globalizada. A interdependência que já começamos a vivenciar clama fortemente pela aproximação entre as instituições e os países e pelo incentivo ao intercâmbio universitário.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.

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